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Avançam discussões de novo protocolo para hepatite delta

Interferon peguilado pode se tornar a primeira escolha para tratar da enfermidade

10/03/2016
hepatiteD

Durante o Congresso da SBMT, será realizada mesa redonda de hepatite delta e elaboração de projeto multicêntrico entre os estados da região norte para estudar aspectos clínicos e resposta terapêuticas as drogas recomendadas pelo protocolo do MS

A hepatite D, também chamada de delta, conta com poucas opções de terapia efetiva. Porém, um novo protocolo para a doença avança e pode incluir o interferon peguilado como a droga de primeira escolha para tratar da enfermidade, com possibilidade de estender o seu uso por um período maior que o usual, que atualmente é de 48 semanas.

No Brasil, as terapias dupla e tripla com o interferon peguilado com duração de 48 semanas são oferecidas desde 2012 como tratamento para a hepatite C.

O tema foi tratado em março no Ministério da Saúde (MS), em um encontro com o objetivo de discutir o novo protocolo clínico e diretrizes terapêuticas (PCDT) para hepatite B e coinfecções. O grupo foi composto por membros do comitê nacional de experts em hepatites virais, representantes da sociedade civil e científica, bem como a equipe técnica da Pasta.

Um dos participantes do encontro, o doutor em Medicina Tropical Wornei Braga, afirma que o grupo tenta uma solução mais adequada e viável de elaborar um documento que traduza tanto a realidade científica atual quanto questões do impacto social e das contas públicas para o tratamento das hepatites virais de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Em minha opinião, o momento político que vivemos e a crise na economia impediu que progredíssemos, neste momento, nas recomendações para o diagnóstico, tratamento e manejo da hepatite delta, como foi obtido para o tratamento da hepatite C e da B”, destaca o doutor Wornei.

Em relação ao debate sobre a hepatite delta, o médico disse que o primeiro ponto discutido foi a impossibilidade de diagnóstico confirmatório sorológico ou molecular, na rotina do SUS. Isso porque o fabricante do teste IgM (Imunoglobulina M), confirmatório de infecção presente, só entrega o kit por encomenda e não tem interesse em registrá-lo no País.

Segundo o doutor Wornei, o diagnóstico, então, fica baseado em evidências clínicas de doença crônica avançada e sorologia reativa para o HBsAg e anti-HDV IgG. “Por questões de poucos recursos disponíveis, não foi possível incorporar o teste do HBsAg quantitativo na predição de resposta virológica sustentada e resposta terapêutica”, acrescenta.

A enfermidade é causada pelo vírus D (VHD), dependendo da presença do vírus do tipo B para infectar uma pessoa. Na maioria das vezes, manifesta-se da mesma forma que hepatite aguda B.

Próximas reuniões

Novos encontros serão convocados para rever o PCDT de hepatite C, que já está sendo revisto na Europa e nos Estados Unidos, de acordo com o doutor Wornei. Em relação à hepatite delta, foi criado um grupo de trabalho com o objetivo de buscar mecanismos que permitam, em longo prazo, corrigir as distorções do protocolo atual

“Ficou acordado buscar parcerias com instituições de pesquisa e sociedades científicas. A convite do atual presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), Marcus Lacerda, acertamos realizar uma mesa redonda no Congresso de Maceió de hepatite delta e elaboração de projeto multicêntrico entre os estados da região norte para estudar aspectos clínicos e resposta terapêuticas as drogas recomendadas pelo protocolo do MS”, explica.