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Ebola: 57 equipes estrangeiras e 421 locais atuando na GuinéEbola: 57 foreign and 421 local staffs working in Guinea Por SBMT | 05/14/2014 07h53

Em entrevista à Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), em abril, o epidemiologista Dr. Michel Van Herp, do Médicos Sem Fronteiras (MSF), fala sobre o ebola e sua transmissão. In an interview to the Brazilian Society of Tropical Medicine (SBMT), in april, Dr. Michel Van Herp epidemiologist, from the Medecins Sans Frontieres (MSF), talks about the ebola and its transmission.

17/06/2014

testeEm entrevista à Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), em abril, o epidemiologista Dr. Michel Van Herp, do Médicos Sem Fronteiras (MSF), fala sobre o ebola e sua transmissão. Segundo o especialista, até 90% das pessoas infectadas morrerão, dependendo da estirpe do vírus. Questionado sobre são os desafios dos profissionais de saúde em regiões com ebola, responde que é criar confiança e contato com as famílias e comunidades dos infectados, e transmitir a informação correta para evitar medo e pânico. O MSF trabalha no combate ao surto em cooperação com o Ministério da Saúde da Guiné e outras organizações.

SBMT: O que tem sido feito para conter o número de casos de ebola?

M.H: O MSF tem atualmente 57 equipes estrangeiras em solo e 421 equipes locais na Guiné, que estão trabalhando especificamente no surto de ebola. Entre os trabalhadores em campo estão médicos, enfermeiras, epidemiologistas, especialistas em água e saneamento, bem como antropologistas. Além disso, mais de 40 toneladas de equipamentos foram entregues ao país para tentar conter a doença. A maioria dos nossos esforços são direcionados em conter o surto, o que é feito detectando os doentes e os isolando do restante da população. Apesar de não haver cura para a doença, podemos reduzir sua altíssima mortalidade tratando os sintomas. Isso inclui reidratação de pacientes com diarreia e a confirmação de que eles não têm uma doença diferente, como malária ou uma infecção bacteriana, como febre tifoide. Em caso de óbito, o MSF assegura um sepultamento seguro, uma vez que os cadáveres são altamente contagiosos.

Também temos 4 equipes estrangeiras na Libéria auxiliando o Ministério da Saúde a conter o surto naquele país.

SBMT: A doença ainda está restrita aos países africanos? Por quê?

M.H: Até agora só temos casos confirmados na Guiné e na Libéria.

SBMT: Existem áreas onde o vírus circula mais facilmente? Por quê? Podemos dizer que regiões tropicais estão mais suscetíveis a esse tipo de vírus?

M.H: Suspeitamos que morcegos com hábitos alimentares baseados em frutas sejam o hospedeiro. A área geográfica onde esses morcegos habitam são as florestas tropicais da África Central e Oriental.

SBMT: Por que até profissionais de saúde estão contraindo a doença?

M.H: Ninguém do MSF contraiu a doença por medidas de higiene rigorosas. As pessoas que contraem a doença são aquelas que não se precaveram adequadamente.

SBMT: Por que é tão letal?

M.H: A primeira fase da doença parece com a gripe. Começa com febre, dor de cabeça, dores musculares e então progridem para vômitos e diarreia. Posteriormente, no decorrer da doença, podem começar sangramentos (no vômito, na diarreia, pelo nariz e ns gengivas). Isso é uma resposta inflamatória do corpo que mata os doentes antes que possam produzir anticorpos contra o vírus. Até 90% das pessoas infectadas morrerão, dependendo da estirpe do vírus.

SBMT: Quais são os desafios dos profissionais de saúde em regiões com ebola?

M.H: Ainda não existe tratamento ou antídoto para a doença, então o apoio que podemos dar é apoio paliativo. A maioria dos nossos esforços é direcionada para conter o surto, o que é feito detectando os doentes e os isolando do restante da população. O desafio é criar confiança e contato com as famílias e comunidades dos infectados, e transmitir a informação correta para evitar medo e pânico.

SBMT: O senhor acredita que o vírus pode se tornar uma pandemia? Como?

M.H: O ebola não é tão contagioso quanto a gripe, ele não é transmitido por vias aéreas, então as pessoas não devem entrar em pânico. É necessária a exposição direta a fluidos de uma pessoa ou animal infectado. É por isso que geralmente atinge membros da família, equipe médica ou pessoas envolvidas em sepultamentos (quando o corpo é lavado). Mais importante, pacientes não são contagiosos até que os sintomas apareçam.

SBMT: É possível reverter a propagação do vírus? O que tem sido feito em relação a isso? O senhor acredita que se pode reduzir a mortalidade da doença? Como?

M.H: Provavelmente o vírus se encontra nos morcegos, que são os hospedeiros. Depois é transmitido a grandes primatas e depois para humanos. Então ele é transmitido entre pessoas através do contato com fluidos (sangue, vômito, diarreia), que ocorrem no cuidado ao doente. Higiene básica – como lavar as mãos – podem reduzir significativamente o risco de transmissão. É importante que as medidas de higiene apropriadas sejam praticadas em todos os estabelecimentos médicos para prevenir a transmissão do vírus. Para se confinar uma epidemia, é fundamental que se passe a mensagem correta para a população e não se crie um pânico desnecessário.

SBMT: Existe alguém mais propenso a contrair o vírus? Quem?

Há algum tratamento eficiente contra o vírus? Qual?

M.H: Sim, aqueles que estão em contato direto com os doentes e sem tomar as precauções necessárias. Não existe tratamento.

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Epidemiologist Michel Van Herp, from the Medecins Sans Frontieres, explaining to the population in Gbando, Guinea, what is ebola and how to prevent the transmission

In an interview to the Brazilian Society of Tropical Medicine (SBMT), in april, Dr. Michel Van Herp epidemiologist, from the Medecins Sans Frontieres (MSF), talks about the ebola and its transmission. According to the expert, about 90% of those infected die, depending on the virus strain. Asked about which are the challenges for health professionals in regions with ebola, said that building trust and contact with families and infected communities and give the correct information to avoid fear and panic. MSF working in cooperation with the Guinean Ministry of Health and other organizations fighting the outbreak.

BSTM: What has been done to contain the number of cases of ebola?

M.H: MSF currently has 57 expatriate staff on the ground and 421 local staff in Guinea, who are working specifically on the Ebola outbreak. Among the field workers are doctors, nurses, epidemiologists, water and sanitation experts as well as anthropologists. In addition, more than 40 tons of equipment have been flown into the country to try to curb the spread of the disease. Most of our efforts are aimed at controlling the outbreak, which is accomplished by detection of the sick and isolating them from the rest of the population. Although there is no cure for this disease, we can reduce its very high mortality by addressing the symptoms. This includes administering a drip to patients who have become dehydrated from diarrhoea and by confirming that they do not have a different disease, such as malaria or a bacterial infection like typhoid. In case of a fatal outcome, MSF ensures a safe burial as dead bodies are very contagious.

We also have 4 expatriate staff in Liberia who are assisting the Ministry of Health in handling the outbreak there.

BSTM: Is the disease still restricted to African countries? Why?

M.H: So far, cases have been confirmed only in Guinea and Liberia.

BSTM: Are there areas where the virus circulates more easily? Why is that? Can we say that tropical regions are more likely to have this kind of virus?

M.H: Fruit-eating bats are highly suspected to be the reservoir of Ebola. The geographical area where those bats are living are the forests of Central Africa and West Africa.

BSTM: Why are even health professionals contracting the disease?

M.H: Nobody in MSF has contracted the disease because of strict hygiene measures. People who contract the disease are those that do not follow the necessary precautions.

BSTM: Why is it so lethal?

M.H: The first phase of the disease is flu-like. It starts with fever, headache, muscle pains, and then people develop vomiting and diarrhoea. And later, in the course of the disease, they can start bleeding (in vomit, diarrhoea, from the nose, and at the gums). This is an inflammatory response of the body which kills the sick before he or she is able to produce anti-bodies to fight the virus. Up to 90% of the people who have the disease will die, depending on the strain of the virus.

BSTM: What are the challenges faced by health professionals in areas with Ebola?

M.H: There is no antidote and no treatment for this disease, so the care that we provide is supportive and palliative. Most of our efforts are aimed at controlling the outbreak, which is accomplished by detection of the sick and isolating them from the rest of the population. It is a challenge to create confidence and contact with the families and communities of those infected, and to pass the right information to fight panic and fear.

BSTM: Do you believe that the virus could become a global epidemic? In which way?

M.H: Ebola is not as contagious as flu, it is not airborne, so people should not panic. You need direct exposure to fluids of an infected person or animal. That’s why it generally affects family members, medical staff or people attending funerals (when the body is washed). Most importantly, sick patients are not contagious as long as symptoms have not appeared.

BSTM: Is it possible to reverse the virus spread? What has been done in this direction? Do you believe it is possible to reduce the disease mortality? How?

M.H: It most probably lives in bats, which are the reservoir. Then it moves to great apes and then into humans. It is then transmitted between people through contact with body fluids (blood, vomit, diarrhoea), which importantly occurs in the care of the sick. Basic hygiene – such as washing hands – can significantly reduce the risk of transmission. It is important that the appropriate hygiene measures be put in place in all medical facilities in order to prevent transmission of the virus. To confine the epidemic, it is critical to pass the right message to the population and not to create an unnecessary panic.

BSTM: Are there people more likely to contract the virus? Who? Is there any effective treatment to fight the virus? How?

M.H: Yes, those who are in close contact with those infected without taking the necessary precautions. There is no treatment.