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Hanseníase: vacinas podem ser aprimoradas nos próximos anosHansens Disease: vaccines may be improved in the next few years

Cientistas brasileiros estudam combinações de genoma e ambiente para produção de imunizações mais eficazes contra a doençaBrazilian scientists study genome and environment combinations to produce more effective immunizations against the disease

14/10/2014

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Apesar dos poucos pesquisadores dedicados à doença, recentes avanços obtidos devem permitir em breve diagnósticos mais precisos. Índia e Brasil são países com os maiores índices da enfermidade no mundo

Tomar uma simples aspirina é eficiente para a maioria das pessoas, mas a outras pode ser tanto inútil quanto tóxico. Isso porque os seres humanos, apesar da alta semelhança biológica, respondem de formas diferentes a medicamentos. Por isso, a ciência tem caminhado para novas soluções, como a produção de medicamentos personalizados a partir da genética de cada indivíduo. Segundo o doutor em Biologia Celular e Molecular pela Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), Milton Moraes , esse cenário está próximo de se tornar uma realidade.

Para produzir remédios mais eficientes, os pesquisadores têm procurado identificar efeitos genéticos específicos em humanos. Uma das linhas de atuação, inclusive, analisa semelhanças entre diferentes grupos de doenças. De acordo com o Dr. Moraes, todos os estudos da genética da hanseníase  publicados, por exemplo, mostram que os genes que aumentam o risco de desenvolvimento dessa enfermidade são os mesmos associados a outras, como Crohn  e Parkinson . Um desses trabalhos é conduzido por cientistas da Universidade de Ottawa (EUA) , que estudam o gene LRRK2 – o qual se acredita ser um elo entre as três mazelas.

“Há uma série de artigos nos últimos 10 anos sugerindo que outros genes além do LRRK2 estão na mesma via em todas essas doenças. Em relação à hanseníase, os estudos vêm tendo uma contribuição importante de Erwin Schurr, um pesquisador alemão radicado no Canadá com uma história importante de cooperação com pesquisadores locais, inclusive com o nosso grupo na Fiocruz”, explica o Dr. Moraes, acrescentando que, recentemente, um trabalho colaborativo testou esses achados em brasileiros.

O trabalho feito no Brasil busca entender quais são as variações de genes que estão associadas ao desenvolvimento da hanseníase para produzir vacinas melhores. Para isso, o ambiente em que essas pessoas vivem também é considerado. “Não podemos assumir um papel determinante dos genes no desenvolvimento de uma doença, mas em relação às infecciosas é muito simples. Esses casos são mais comuns quando estão associadas à pobreza, desde a alimentação aos problemas domiciliares de água e esgoto”, afirma. Ele também defende que poderia haver uso mais eficiente das vacinas caso fossem aplicadas nos grupos de risco e não em toda a população.

Ainda de acordo com o pesquisador, a ideia é conseguir vacinas aprimoradas a partir de ajustes na composição. “Claro que, quando trabalhamos com imunização em massa, não é possível ter mil tipos diferentes. É preciso saber qual a genética daquele indivíduo e fazer medicamentos próprios”. Ele acrescenta que pode haver sistemas de vacinação personalizados nos próximos anos.

Apesar de a hanseníase ter cura, Dr. Moraes acredita que o longo período de tratamento para a doença – de seis meses a um ano – também pode ser aperfeiçoado, uma vez que pacientes, ao sentirem melhoras, acabam interrompendo o uso de medicação. “As pessoas não tomam bem antibiótico para tratar uma simples infecção de garganta, imagine por um ano. Esse é um grande desafio. Melhores medicamentos para melhorar a qualidade de vida das pessoas”.

O cientista destaca ainda que, apesar dos poucos pesquisadores dedicados à doença negligenciada, os recentes avanços obtidos pela comunidade científica permitirão em breve diagnósticos mais precisos. Os grandes interessados nesses aperfeiçoamentos são a Índia e o Brasil, países com os maiores índices da enfermidade no mundo. Por aqui, são mais de 30 mil casos por ano e milhões de reais investidos pelo governo federal para controle e combate à hanseníase.

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Despite the small number of researchers dedicated to the disease, recent advances may allow early and more precise diagnosis. Brazil and India are the countries with the largest illness indexes in the world

Taking a simple asprin may be efficient for most people, but for others, rather useless or toxic. This happens because humans, despite the biologic similarity, respond differently to drugs. For this reason, science has seeked new solutions, as the production of genetically customized drugs. According to Dr. Milton Moraes , PhD in Cellular and Mollecular Biology from the Oswaldo Cruz Foundation (Fiocruz), this scenario is about to become a reality.

In order to produce more efficient drugs, the researchers have tried to identify the genetic effects specific to humans. One of the activity lines, inclusive, analyzes similarities between different disease groups. According to Dr. Moraes, all Hansens disease published genetic studies , for example, show that the genes associated to the diseases development risk are the same ones associated to other diseases, as Crohn  and Parkinson . One of these works is conducted by scientist from the Ottawa University (USA) , who study the LRRK2 gene – which they believe is a link between the three diseases.

There is a series of articles from the past 10 years suggesting that all other genes rather than LRRK2 are in the same paths in all these diseases. Regarding Hansens disease, the studies have an important contribution from Erwin Schurr, a German-Canadian researcher with an important cooperation history among local researchers, including our group in Fiocruz, explains Dr. Moraes, adding that, recently, a cooperative work tested these findings in Brazilians.

The work in Brazil seeks to understand which are the genes variations associated to the development of Hansens disease in order to produce better vaccines. For this, the environment in which people live is also considere. We cannot assume the genes determinant role in the development of a disease, but regarding infectious disease, this is very simple. These cases are more common when associated to poverty, since nutrition to household problems as water and sanitation, affirms. He also defends that there could be a more efficient use of vaccines if they were applied only in risk groups, rather than the whole population.

Still according to the researcher, the goal is to develop enhanced vaccines from adjustments in its composition. Of course, when we are dealing with mass immunization, it is not possible to have a thousand different strains. We must know what is that individuals genetic and make customized drugs. He adds that there might be customized vaccination systems in the next years.

Despite Hansens disease being curable, Dr. Moraes believes the long lasting treatment – from six to twelve months – could also be perfected, once the patients quit the drug treatment as soon as the first recovery signs appear. People dont take antibiotics to treat a simple sore throat, imagine for a year. This is a great challenge. Better drugs to enhance peoples lives.

The scientist also points that despite the small number of researchers dedicated to neglected diseases, the recent advances achieved by the scientific community may soon allow more precise diagnosis. The most interested in these enhancements are India and Brazil, the countries with the worlds largest indexes of the disease. Here, there are over 30 thousand cases and millions invested by the federal government to combat Hansens disease.