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SBMT amplia discussões sobre a nova Medicina TropicalBSTM raises discussions on the new Tropical Medicine

13/08/2013

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Uma pergunta que ninguém consegue responder e que tem sido investigada por intelectuais, quase em sua totalidade, de países que não são dos trópicos: por que os países tropicais são pobres?

A missão de uma sociedade científica é dupla: estimular descobertas e divulgar conhecimento. Isso é o essencial, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), Dr. Carlos Costa, que em agosto deste ano encerra sua gestão de dois anos, deixando como avanço a ampliação da visibilidade da SBMT oriunda de eventos internacionais e, principalmente, da sua aposta nas mídias eletrônicas – portal, newsletter e Facebook – disponibilizadas na língua portuguesa e inglesa.

Nesses dois anos, a SBMT trabalhou a transformação conceitual de Medicina Tropical trazendo para o centro da discussão problemas que ocorrem nas cidades tropicais – a exemplo daqueles de origem externa – como o drama que se passa hoje nas localidades onde já mora a maior parte da população tropical. “Mostramos as cidades em condições impróprias para viver, seja por habitação inadequada, falta de esgoto sanitário, pela violência ou ainda pela poluição. Então buscamos promover a agregação desse conjunto de saber sob uma ótica tropical”, atenta o ex-presidente da Sociedade.

Enquanto presidente, Dr. Carlos Costa fez questão de mostrar que a SBMT e o Brasil devem assumir papel de destaque na discussão das doenças tropicais que, em sua visão, estão muito além das doenças parasitárias e infecciosas, que também não devem ser ignoradas.

“Estive com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, na reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), e ele ficou impressionado com a nova temática da Medicina Tropical. Ficou mais assustado ainda quando coloquei para ele uma pergunta que ninguém consegue responder: por que os países tropicais são pobres?”, lembra Dr. Carlos Costa ao apontar que essa pergunta tem sido investigada por intelectuais, quase em sua totalidade, de países que não são dos trópicos.

Dr. Carlos Costa explica que a nova conceituação de Medicina Tropical é uma moeda que tem duas faces: Eco – de ecologia, porque estamos nos trópicos e Eco – de economia, porque somos pobres. Para ele, o problema do clima e o ecológico, têm sido amplamente debatidos ao longo do tempo. “Dentro disso há ambientes não naturais, como, por exemplo, o urbano – que é um ambiente importante de doenças. Entender esse fenômeno da pobreza nos trópicos é fundamental para então tentar superar”, defende.

Aprendizado
Ao ouvir pessoas inteligentes, sagazes e ávidas por novos conhecimentos, Dr. Carlos Costa assegura ter tido a oportunidade de ver a importância que tem a Medicina Tropical, levando em conta seus novos horizontes. “Meu aprendizado possibilitou ver que o futuro está nos países tropicais – que concentrarão a maior população do mundo. Ele explica que com o fim da guerra fria só sobraram os pobres, então, se estes aumentarem seu poder aquisitivo, melhorando sua condição de vida, todo mundo vai ganhar vendendo aos pobres”, avalia Dr. Carlos ao argumentar que o que move a economia do mundo são os pobres.

Para que isso ocorra, o ex-presidente da SBMT aposta em uma transformação nos trópicos que possibilite seu crescimento. Ele aponta que a mudança terá que ser essencialmente política, por meio não mais de luta de classes ou ideológicas, mas sim uma luta política capaz de assegurar a democracia plena e tirar dos trópicos o vício das oligarquias e das elites corruptas, que, no seu ponto de vista, têm arruinado todos os países. “O povo está claramente nas ruas e mostrando isso, cobrando democracia plena, falando que temos uma democracia e queremos chegar lá. A SBMT também vê isso e está totalmente engajada politicamente, motivada e sensibilizada pela causa das ruas”, revela ao admitir que movimentações como esta são fundamentais para o alcance do desenvolvimento econômico não só no Brasil como em todos os países tropicais.

Conquistas importantes
Nos últimos dois anos, a SBMT registrou grandes ações, entre elas, o Congresso Internacional de Medicina Tropical e Malária (ICTMM), no Rio de Janeiro, – quando estreitou seus laços com a Federação Internacional de Medicina Tropical (IFTM) – e mais dois eventos internacionais: o Wordleish 5 – Congresso Mundial de Leishmanioses, realizado em Porto de Galinhas e que registrou mais de 1,4 mil participantes e o 2º Leishvaccines – Simpósio Internacional de Vacinas para leishmanioses, realizadoem Ouro Preto (MG).

“Outra realização de fundamental importância foi a criação da newsletter – que chega mensalmente a cerca de três mil assinantes, trazendo matérias novas, com temas de interesse tanto do cientista quanto do médico, do sanitarista e do publico leigo”, enfatiza Dr. Carlos Costa ao assinalar que isso fez com que a SBMT tivesse uma repercussão extraordinária, que pode ser comprovada com o aumento expressivo das visitas ao website.

Ao avaliar o reconhecimento que a SBMT passou a ter desde a criação da newsletter, que completa dois anos neste mês de agosto, o ex-presidente lembra que os textos produzidos também ganharam grande destaque com a página da Sociedade no Facebook. “Os repiques nesta rede social são de quantidade inesperada. É um enorme número de pessoas visitando as notícias que publicamos. Isso mostra que a SBMT e a Medicina Tropical passam a ser vistas agora por pessoas que têm importância no mundo – sejam cidadãos comuns ou lideranças científicas e políticas que não são necessariamente de dentro da Medicina Tropical”, observa Dr. Carlos Costa. Ele acredita que são essas pessoas que vão alavancar assuntos que a SBMT revela e chama a atenção, atraindo recursos para inovação científica, para o desenvolvimento da saúde e para investimento em infraestrutura.

Desafios da próxima gestão
O ex-presidente da SBMT acredita que sem sombra de dúvida o maior desafio da próxima gestão será consolidar o conceito da nova Medicina Tropical moderna além das doenças infecciosas. O outro, sob sua ótica, é o desenvolvimento de uma Medicina Tropical voltada às cidades, particularmente às favelas.

“Sinto uma satisfação imensa em entregar a presidência da SBMT ao Dr. Mitermayer, um homem de visão ampla e que comunga comigo das mesmas ideias. Tenho certeza de que ele vai assegurar várias conquistas para os trópicos”, salienta Dr. Carlos Costa.

Ele acrescenta que a Sociedade apenas deu início a discussões que envolvem temas como violência, acidentes de trânsito – em particular por motocicleta –, favelas, poluição, entre outros. “Estou convicção que saio da presidência deixando a SBMT em uma nova fase”, conclui Dr. Carlos Costa.

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A question no one can answer and has been investigated by intellectuals, in near totality of non-tropical countries: why are tropical countries poor?

 

A scientific society has a double mission: to encourage findings and publish knowledge. This is the essential according to the president of the Brazilian Society of Tropical Medicine, Dr. Carlos Costa, who ends his two-year administration in August, leaving behind as progress the increase in the BSTM visibility from international events and, mostly, from his bet on electronic medias – the portal, the newsletters and the Facebook fanpage, available both in English and in Portuguese.

During these two years, the BSTM has worked the transformation of the conceptual medicine bringing to the center of the debate the problems from tropical cities – i.e. the outsiders – as the drama faced today in places where most of the tropical population live in. “We have exposed the cities as improper places to live, for its inadequate homes, lack of sanitary sewage, violence or even pollution. This way, we seek to promote the engagement of this joint of knowledge under a tropical view”, reminds the ex-president of the Society.

While president, Dr. Carlos Costa made clear that the BSTM and Brazil must be in evidence in tropical diseases discussions, which to him, are beyond parasitic and infectious diseases, but these should not be ignored.

I have been with the minister of Science, Technology and Innovation, Marco Antonio Raupp, in a meeting of the Brazilian Society to Science Progress (BSPC), and he was impressed with the new Tropical Medicine thematic. He was even scared when I asked him the question no one can answer: why are tropical countries poor?”, reminds Dr. Carlos Costa when pointing that this question has been investigated by intellectuals, near in totality, from non-tropical countries.

Dr. Carlos Costa explains that the new concept on Tropical Medicine is a two-sided coin: Eco – from ecology, because whe are in the tropics, and eco – from economy, because we are poor. For him, the climate issue and the ecologic have been in discussion through time. “Within this, there are natural environments, as for example, the urban – which is an important disease environment. Understanding the phenomena of poverty in the tropics is primordial to try to overcome”, he defends.

Learning
While listening to intelligent, sagacious and knowledge avid people, Dr. Carlos Costa assures to have had the opportunity of seeing the importance of the Tropical Medicine, considering its new horizons. “My learning allowed me to see that the future is in the tropical countries –  where most of the world’s population live in. He explains that since the end of the Cold War only the poor were left, so, if they increase their incomes, enhancing their life conditions, everybody will profit selling to the poor”, says Dr. Carlos while arguing that the world’s economy is powered by the poor.

In order of this to happen, the ex-president of the BSTM bets in a tropical transformation that allows its growth. He points that the changes will be essentially political, this time not through a class or ideology struggle, but a political fight able to assure full democracy and remove the oligarchies and corrupt elites vices, that, from his point of view, have ruined all the countries. “The people are clearly in the streets showing this, claiming for full democracy, saying that we have a democracy and must reach its plenitude. The BSTM also sees this and is completely politically engaged, motivated and touched by the streets causes”, reveals while admitting that movements as these are primordial to reach economic development, not only in Brazil, but in all tropical countries.

Important Achievements
In the last couple of years, the BSTM registered great actions, among them, the International Congress of Tropical Medicine and Malaria (ICTMM), in Rio de Janeiro, – when its laces with the International Federation of Tropical Medicine were tightened – and two more international events: the Worldleish 5 – World Congress on Leishmaniasis, in Porto de Galinhas with over 1400 participants, and the Leishvaccines 2 – International Symposium on Leishmaniasis Vaccines, in Ouro Preto – MG.

“Another major importance accomplishment was the creation of the newsletter – which reaches nearly 3.000 subscribers in a monthly basis, delivering new articles, with themes attractive to scientists and doctors, the sanitarian and the lay public”, emphasizes Dr. Carlos Costa while remembering that this made the BSTM have an extraordinary repercussion, that can be proven by the expressive raise in the websites visits.

While evaluating the recognition the BSTM has had since the creation of the newsletter, that completes two years this August, the ex-president remembers that the articles also were spotlighted in the Facebook fanpage. “The repercussion in this social network is unexpected. It is a great number of people visiting the news we publish. This shows that the BSTM and the Tropical Medicine are seen by people as something important to the world, either common citizens or scientific and political leaders who are not necessarily related to Tropical Medicine”, observes Dr. Carlos Costa. He belives that these people will boost the subjects published by the BSTM and call attention, bringing resources for scientific innovation, heath development and infrastructure investment.

Next administration challenges
The ex-president of the BSTM believes without a doubt that the major challenge for the next administration will to consolidate the concept of New Tropical Medicine. The other, under his optics, is the development of a Tropical Medicine focused in the cities, especially the slums.

“I have a great satisfaction to hand the BSTM’s presidency to Dr. Mittermayer, a wide vision man and that shares the same ideas with me. I am sure he will assure several accomplishments for the tropics”, points Dr. Carlos Costa.

He reminds that the society only started the discussions involving themes such as violence, traffic accidents – particularly motorcycle accidents-, slums, pollution and others. “I am positive that I leave the presidency leaving the BSTM in a new phase”, concludes Dr. Carlos Costa.