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Malária: MMV e parceiros trabalham no desenvolvimento de novos medicamentos eficazes e economicamente acessíveisMalaria: M

13/03/2013

David

Países com maior incidência de malária estão entre os mais pobres do mundo, e normalmente têm taxas muito baixas de crescimento econômico

 

No Brasil, 40 milhões de pessoas correm o risco de contrair malária. Em 2010, aOrganização Mundial da Saúde (OMS) estimou 334.618 casos confirmados no Brasil, dos quais 283.383 foram de P. vivax e 47.406 de P. falciparum. Em entrevista à Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), o Dr. David Reddy, diretor-executivo da Medicines for Malaria Venture (MMV), fala sobre os desafios e o que tem sido feito para tentar erradicar a doença.

 
SBMT: Qual é a missão da MMV? Por que foi criada?

 
Dr. David Reddy (CEO da MMV): Medicines for Malaria Venture (MMV) é uma parceria público-privada sem fins lucrativos, estabelecida como fundação suíça, em novembro de 1999, sob a égide da Organização Mundial de Saúde (OMS). A missão da MMV é reduzir o fardo da malária em países endêmicos por meio da descoberta, desenvolvimento e facilitação da distribuição de novas, eficazes e acessíveis drogas antimaláricas nestas localidades. Trabalhamos para um mundo em que estes medicamentos inovadores ajudarão a finalmente erradicar esta doença terrível.

Em1999, amalária estava tirando a vida de mais de um milhão de pessoas por ano nas regiões mais pobres do mundo. O “pipeline” de novos medicamentos antimaláricos era praticamente inexistente, devido à falta de incentivo comercial ao investimento em pesquisa e desenvolvimento. MMV foi criada para preencher essa lacuna fatal.

Desde 1999, MMV e nossos parceiros construíram o maior “pipeline” de medicamentos antimaláricos e de drogas candidatas já alguma vez reunidas na história. O sucesso da MMV em desenvolver e em gerir um portfólio tão grande e dinâmico, a tornou o ponto focal inquestionável no âmbito dos esforços globais para desenvolver novos medicamentos para o tratamento, prevenção e erradicação definitiva da malária.

Até hoje, os sucessos da parceria da MMV incluem o lançamento de quatro novos medicamentos: o primeiro ACT (artemisinin combination therapy) pediátrico com mais de 137 milhões de doses distribuídas em países endêmicos até hoje, o primeiro artesunato injetável a receber pré-qualificação pela OMS, com qualidade garantida, para o tratamento da malária grave e dois novos ACT rigorosamente desenvolvidos que irão contribuir para o objetivo do tratamento universal nos países endêmicos com malária e ajudar a conter a resistência à Artemisinina.

Além disso, MMV tem vários projetos em desenvolvimento clínico abordando importantes necessidades médicas não atendidas no domínio da malária. Ao longo dos últimos três anos, e tendo em conta os dados relativos à distribuição de medicamentos e à eficácia clínica, podemos estimar conservadoramente que as drogas co-desenvolvidos pela MMV salvaram 350 mil vidas até agora e tem reduzido a morbidade e a perda econômica em escala significativa.

De1999 a2012, as mortes por malária caíram 50% graças ao uso de mosquiteiros tratados com inseticida, pulverização residual de interiores e ACT. Apesar desses ganhos, 655 mil pessoas morreram de malária em 2010, das quais 91% se encontravam na África.

Mais pesquisas são necessárias para continuar com esta luta. MMV está trabalhando para mudar esta estatística e contribuir para a derrota da malária.

SBMT: Qual é o modelo PDP? Como isso funciona?

David Reddy (MMV): A parceria para desenvolvimento de produto (PDP) é um modelo de gestão extremamente eficaz e inovador estabelecido no final de 1990, que utiliza recursos de parcerias público-privadas para pesquisar novos medicamentos para doenças negligenciadas. Reconhecido como a PDP de liderança no campo da pesquisa e desenvolvimento de drogas anti-maláricas, a MMV atualmente consolida projetos de todo o mundo em uma carteira centralizada de drogas contra malária.

Graças a vários anos de investimentos de doadores-chaves, a década passada marcou um ponto de virada na história do desenvolvimento de drogas contra a malária. MMV e seus parceiros acadêmicos e farmacêuticos têm rejuvenescido pesquisa e desenvolvimento de drogas anti-maláricas, demonstrando sua capacidade coletiva de descobrir e desenvolver medicamentos com padrões da indústria, mas a custos reduzidos para os doadores e, em última instância, para as populações que precisam dos tratamentos.

Como uma PDP, MMV reúne valiosa experiência, conhecimento e instalações tanto da indústria (setor privado) e pesquisadores (setor público), explorando a força de cada um na busca por novos medicamentos contra a malária. Esses recursos podem incluir acesso a bibliotecas de compostos para aumentar a diversidade de nossas drogas candidatas em pesquisa de descoberta, ou na profunda experiência da indústria na fabricação e distribuição para a preparação do lançamento de um dos nossos produtos. Juntamente com uma rigorosa gestão de carteira estilo-indústria, o modelo PDP torna MMV altamente rentável e produtiva.

Ao longo dos últimos 10 anos, MMV desenvolveu uma rede de 280 parcerias científicas da indústria e de pesquisadores em cerca de 50 países. Nossos parceiros são a nossa força. Como parceiros científicos eles têm acesso a nossa extensa rede de trabalho e, em troca, nós esperamos que eles contribuam em espécie (por exemplo, por meio de custos de pessoal, espaço de laboratório, equipamentos, despesas gerais), maximizando assim os recursos financeiros da MMV.

SBMT: Que trabalho vocês desenvolve para tentar combater a malária? Como este trabalho é feito?

David Reddy (MMV): Nós não vemos a malária como uma doença única. Duas das espécies mais virulentas do parasita, P. falciparum e P. vivax, são juntamente responsáveis pelo massivo fardo da malária do mundo de hoje. P. falciparum é tipicamente endêmico na África e P. vivax, ou a malária recidivante, é largamente predominante na América do Sul e Sudeste da Ásia.

MMV construiu um forte “pipeline” de novos e inovadores medicamentos antimaláricos que abordam as principais carências e apóiam a eliminação, a longo prazo, e erradicação da doença. Nós desenvolvemos quatro novos medicamentos: duas novas ACT, a primeira ACT pediátrica de alta qualidade e uma droga para o tratamento da malária grave. Esses medicamentos são atualmente eficazes, mas, dada a ameaça emergente de resistência à Artemisinina, novos medicamentos serão necessários.

MMV agora está se concentrando no desenvolvimento e facilitação do acesso a medicamentos melhorados, incluindo medicamentos para malária não complicada, novos medicamentos para as populações vulneráveis (crianças, mulheres grávidas e pacientes com malária grave), e medicamentos que irão apoiar a eliminação e erradicação da malária. A eliminação/erradicação da malária não será possível sem abordar o P. vivax. No entanto, até o momento a malária por P. vivax permanece praticamente ignorada pela comunidade de desenvolvimento global.

P. vivax é a espécie mais prevalente em todas as regiões endêmicas fora da África Subsaariana (leia-se na América Latina e no Sudeste Asiático) e prevalece em regiões de baixa endemia com a interação do complexo vivax/falciparum. Em nível global o número de casos é sub-relatado e há evidências crescentes de infecções graves e até mesmo fatais. Malária por P. vivax tem também um impacto negativo significativo na educação e na produtividade em países endêmicos.

Se quisermos cumprir o nosso objetivo final para ajudar a eliminar/erradicar a malária, temos de enfrentar os desafios da resistência aos medicamentos atualmente utilizados, tais como a Cloroquina, SP, e derivados de Artemisinina, que são hoje o padrão ouro. Devemos desenvolver produtos que serão eficazes contra P. vivax (incluindo cura radical), e medicamentos que possam bloquear a transmissão de pessoa para pessoa.

Além disso, como o processo de descobrir, desenvolver e trazer um novo medicamento normalmente demora entre 13-15 anos, também estamos explorando formas de acelerar o processo de pesquisa, por exemplo, por meio de testes de compostos promissores em voluntários usando um modelo de desafio humano, que rapidamente nos darão informações sobre a dose correta para o desenvolvimento de uma nova molécula.

 
SBMT: Por que MMV está interessada em investir tempo e conhecimento para resolver problemas comuns dos países pobres?

David Reddy (MMV): Na virada do século, a comunidade global concordou em combater a pobreza, o subdesenvolvimento, e a falta de saúde, ao aderir às metas das Nações Unidas de Desenvolvimento do Milênio (ODM). MMV considera-se parte dessa comunidade. Achamos que é inaceitável que a malária, apesar de ser uma doença infecciosa prevenível e tratável, ainda é uma das principais causas de morte no planeta.

Mais da metade da população do mundo está exposta ao risco de infecção, principalmente em países em desenvolvimento na África subsaariana. Em 2010, 655 mil morreram da doença, 86% dos quais eram crianças com menos de 5 anos de idade. A correlação entre a incidência da malária e do subdesenvolvimento é gritante. Países com maior incidência de malária estão entre os mais pobres do mundo, e normalmente têm taxas muito baixas de crescimento econômico.

SBMT: Existe algum estudo específico atualmente em desenvolvimento? Qual é o objetivo? Quantas pessoas estão envolvidas? Quem são seus parceiros?

David Reddy (MMV): Nós temos um número empolgante de novas moléculas em desenvolvimento que servirão como alternativas para a terapia usada atualmente. Uma molécula que está sendo desenvolvida em colaboração com pesquisadores brasileiros que pode ser de interesse é Tafenoquina – em desenvolvimento pela MMV em parceria com a GlaxoSmithKline (GSK) para a cura radical da malária por P. vivax. Um estudo começou a definir a dose correta de Tafenoquina para ser administrada com Cloroquina em mais de 320 pacientes. Este estudo será seguido por outro para testar a segurança e eficácia de Tafenoquina na dose escolhida, a partir da primeira parte do programa, em mais de 600 pacientes adicionais do Brasil, Peru, Tailândia e Índia.

No Brasil, estamos trabalhando com pesquisadores brasileiros da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, em Manaus.

A cura radical é uma necessidade urgente a ser alcançada. Enquanto o P. falciparum é curado quando o parasita está presente no sangue do paciente, P. vivax revelou-se mais fugaz a curar. O parasita P. vivax tem uma incrível capacidade de permanecer dormente no fígado do paciente em uma forma conhecida como o hipnozoíta. Este estágio hepático pode se reativar a qualquer momento, entre 2 e 3 semanas há vários anos, deixando suas vítimas vulneráveis à recaída com sintomas febris de malária, sem nenhum aviso.

Além da morte e problemas de saúde devido ao P. vivax, a contração e recidiva da doença também constituem barreiras para o desenvolvimento econômico em áreas altamente endêmicas. Estudos brasileiros mostraram que a malária está também associada ao mau desempenho escolar das crianças em áreas endêmicas, como a Amazônia.

A medicação atual, Primaquina, pode curar a malária recidivante, mas apenas se os pacientes tomarem o ciclo de tratamento completo de 7 ou de 14 dias. Os pacientes muitas vezes têm dificuldade para cumprir este regime e o que eles precisam é um medicamento de uso simplificado. Os estudos mostram que uma dose única de Tafenoquina proporciona uma melhor proteção contra a recaída do que a Primaquina – uma melhora significativa sobre os atuais 7 ou 14 dias. A Tafenoquina também pode proporcionar significativos benefícios para a saúde pública, aumentando a adesão e melhorando as taxas de cura.

SBMT: MMV está desenvolvendo uma droga específica para o tratamento da malária? Em que fase está? Qual é a expectativa?

David Reddy (MMV): Desde a sua fundação, a MMV criou o maior “pipeline”, jamais desenvolvido até hoje, com mais de 60 medicamentos antimaláricos e drogas candidatas para os países em desenvolvimento. De fato, entre 2009 e 2012, a MMV desenvolveu quatro novos medicamentos:

*Coartem® Dispersible (artemeter-lumefantrina) – a primeira ACT pediátrica a preços acessíveis, de alta qualidade, desenvolvida com a Novartis; 137 milhões de tratamentos distribuídos em 35 países com malária endêmica desde 2009.

*Artesunato injetável da Guilin Pharmaceuticals (Artesun®), para curar a malária grave, que recebeu a pré-qualificação da OMS em 2010; 3,2 milhões de frascos deste medicamento, que pode salvar vidas, foram entregues.

Dois novos tratamentos de dose única diária por 3 dias, ACTs de alta qualidade aprovados pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

*Eurartesim® (dihidroartemisinina-piperaquina) desenvolvido com Sigma-Tau, fornece a melhor e mais longa proteção contra novas infecções por malária, aprovado pela EMA em novembro de 2011.

*Pyramax® (pironaridina-artesunato), a nossa primeira nova entidade química desenvolvida com os parceiros coreano Shin Poong, recebeu um parecer favorável nos termos do artigo 58 da EMA para tratar a malária em áreas de baixa transmissão onde a resistência a Artemisinina foi confirmada. É o primeiro ACT com rótulo indicando seu uso para tratar as duas principais espécies de parasitas da malária.

Durante estes últimos quatro anos, com base em dados da distribuição da droga e de eficácia clínica, estimou-se que as drogas co-desenvolvidas pela MMV salvaram 350.000 vidas até o momento.

SBMT: Você acha que o Brasil tem a capacidade de produzir conhecimento para desenvolver ferramentas inovadoras para combater doenças negligenciadas? Em sua opinião, o que está faltando para que isso ocorra?

David Reddy (MMV): O Brasil é afetado por várias doenças negligenciadas como a malária, que é principalmente prevalente na região da Amazônia. Hoje, o Brasil tem pesquisadores especialistas, universidades de renome mundial e um setor privado proativo, todos trabalhando em soluções para doenças negligenciadas. O Brasil detém também atualmente a Presidência da Federação Internacional de Medicina Tropical. Devido a sua capacidade de pesquisa, desenvolvimento e conhecimento, o país tem um papel importante a desempenhar, em nível nacional e internacional, na luta contra as doenças negligenciadas e relacionadas à pobreza.

No entanto, muito mais pode ser feito para ajudar a controlar e derrotar doenças negligenciadas e alcançar os ODM. Trabalhar em parceria, com PDPs como a MMV, pode ajudar a acelerar a descoberta e desenvolvimento de ferramentas inovadoras e acelerar a disponibilidade de produtos de saúde acessíveis e de alta qualidade.

SBMT: Existe algum estudo que está sendo desenvolvido em parceria com o Brasil? Se não, há alguma possibilidade? Quais são as barreiras para que isso ocorra?

David Reddy (MMV): Em colaboração com a GSK, MMV está avaliando a segurança e eficácia da Tafenoquina, o medicamento principal de investigação para o tratamento de malária P. vivax (recidivante). Tafenoquina tem o potencial de curar a forma hepática dormentede da malária por P. vivax, evitando recaídas futuras. Ele está sendo desenvolvido como um tratamento potencial de dose única, o que representa uma melhoria significativa sobre os atuais 7 ou 14 dias dos ciclos de Primaquina.

Esta fase 2b/3 de ensaio clínico abrange quatro países com malária endêmica: Tailândia, Índia, Peru e Brasil. Esses países foram selecionados por suas cargas particularmente altas de malária – só no Brasil havia mais de 2,5 milhões de casos suspeitos de malária em 2010, principalmente atribuível a P. vivax. Além disso, cada país abriga locais de ensaios clínicos com a capacidade e estrutura para realizar ensaios de Boas Práticas Clínicas (BPC) mandatados por rigorosos reguladores, como o FDA, e será capaz de acompanhar pacientes durante 6 meses, o que é importante, dada a natureza recidivante da malária por P. vivax.

O teste com Tafenoquina inova para MMV com a inscrição, pela primeira vez, de pacientes da América do Sul em um experimento apoiado pela MMV. O número total de pacientes necessários para a fase 2b do estudo foi recrutado e estamos otimistas de que os resultados do estudo nos fornecerão uma dose eficaz de Tafenoquina a ser testado na fase 3 do ensaio clínico. Ao mesmo tempo, continuamos a avaliar um ponto de teste diagnóstico G6PD capaz de identificar os pacientes com esta deficiência enzimática, que podem ter problemas de tolerabilidade ao grupo particular de compostos ao qual a Tafenoquina pertence.

David

Countries with the highest incidence of malaria are among the poorest in the world, and usually have very low rates of economic growth

 

In Brazil, 40 million people are at risk of contracting malaria. In 2010, the World Health Organization (WHO) estimated 334,618 confirmed cases in Brazil, of which 283,383 were from P. vivax and 47,406 from P. falciparum. In an interview with the Brazilian Society of Tropical Medicine (SBMT), Dr. David Reddy, CEO of Medicines for Malaria Venture (MMV), talks about the challenges and what has been done to try to eradicate the disease.

 
SBMT: What is MMV’s mission? Why was it created?

 
Dr. David Reddy (CEO of MMV): Medicines for Malaria Venture (MMV) is a not-for-profit public-private partnership, established as a Swiss foundation in November 1999, under the aegis of the World Health Organization (WHO). MMV’s mission is to reduce the burden of malaria in disease-endemic countries by discovering, developing and facilitating delivery of new, effective and affordable antimalarial drugs. We are working towards a world in which these innovative medicines will help to ultimately eradicate this terrible disease.

In 1999, malaria was taking the lives of over a million people a year in the poorest regions of the world. The pipeline for new antimalarial medicines was virtually empty, caused by the lack of commercial incentive for investment in research and development. MMV was created to fill this fatal gap.

Since 1999, MMV and our partners have built the largest pipeline of malaria drugs and drug candidates ever assembled in history. MMV’s success in building and managing such a large and dynamic portfolio has made it the unquestioned focal point of global efforts to develop new medicines for the treatment, prevention and ultimate eradication of malaria.

To date, the successes of the MMV’s partnership include the launch of four new antimalarial drugs: the first pediatric ACT with over 137 million doses delivered in endemic countries to date; the first, World Health Organization (WHO) prequalified, quality-assured, injectable artesunate for the treatment of severe malaria and two new, rigorously-developed ACTs that will contribute to the goal of universal treatment in malaria-endemic countries and help contain artemisinin resistance. In addition, MMV has several projects in clinical development addressing key unmet medical needs in malaria. During the past three years, based upon drug distribution and clinical efficacy data, we can conservatively estimate that MMV-co-developed drugs have saved 350,000 lives so far and have reduced morbidity and economic loss on significant scale.

From 1999 to 2012, malaria death fell fifty percent thanks to the use of insecticide-treated bednets, indoor residual spraying and artemisinin combination therapies (ACTs). Despite of these gains, 655 000 people died from malaria in 2010, of which 91% were inAfrica. More research is needed to continue the fight MMV is working to change this statistic and contribute to the defeat of malaria.

 
SBMT: What is the PDP model? How does it work?

David Reddy (MMV): The product development partnership (PDP) is an extremely effective and innovative business model established in the late 1990s that uses resources from public and private partnerships to research new medicines for neglected diseases. Recognized as the leading PDP in the field of antimalarial drug research and development, MMV currently consolidates projects from around the globe in a centralized malaria drug portfolio.

Thanks to multi-year investments from key donors, the past decade has marked a turning point in the history of antimalarial drug development. MMV and its academic and pharmaceutical partners have rejuvenated malaria drug R&D, demonstrating their collective ability to discover and develop medicines to industry standards but at reduced costs to donors and, ultimately, to the populations who need the treatments.

As a PDP, MMV brings together valuable expertise, knowledge and facilities of both industry (private sector) and academia (public sector), exploiting the strength of each in the hunt for new medicines for malaria. These resources could include gaining access to compound libraries to boost the diversity of our candidate drugs in discovery research, or deep industry experience in manufacturing and distribution in preparation for the launch of one of our products. Together with rigorous industry-style portfolio management, the PDP model makes MMV highly cost-effective and productive.

Over the last 10 years MMV has developed a network of 280 scientific partnerships from industry and academia in around 50 countries. Our partners are our strength. As scientific partners they have access to our extensive network and, in return, we expect them to contribute with in-kind contributions (for example staff costs, laboratory space, equipment, overheads), thus maximizing MMV’s financial resources.

 
SBMT: What work do you develop to try to combat malaria? How is this work done?

 
David Reddy (MMV): We do not look upon malaria as one single disease. Two of the most virulent species of the parasite, P. falciparum and P. vivax, are together responsible for the massive malaria burden in the world today. P. falciparum is typically endemic in Africa while P. vivax, or relapsing malaria, is largely prevalent inSouth America and S.E. Asia.

MMV have built a strong pipeline of new, innovative, antimalarial drugs that address key unmet needs and support the long-term elimination and eradication of the disease. We have brought forward four new medicines: two new ACTs, the first high quality pediatric ACT and one drug for the treatment of severe malaria. These drugs are currently effective but given the emerging threat of artemisinin resistance, new medicines will be needed.

MMV is now focusing on developing and facilitating access to improved medicines, including drugs for uncomplicated malaria, new medicines for vulnerable populations (children, pregnant women and patient with severe malaria), and drugs that will support the elimination and eventual eradication of malaria. Malaria elimination/eradication will not be achievable without addressing P. vivax. Yet to date P. vivax malaria remains mostly overlooked by the global development community. P. vivax is the most prevalent species in all endemic regions outside of sub-Saharan Africa (namely in Latin America andSouth East Asia) and it prevails in low endemic regions with complex vivax/falciparum interplay. At the global level, the number of cases is under-reported and there is growing evidence of severe and even fatal infections. P. vivax malaria also has a significantly negative impact on education and productivity in endemic countries.

If we are to meet our ultimate goal to help eliminate/ eradicate malaria we have to address the challenges posed by resistance to currently used medicine such as chloroquine, SP, and artemisinin derivatives which are today’s gold standard, and develop products that will be efficacious against P. vivax (including radical cure), and medicines that can block transmission from person to person.

In addition, as the process to discover, develop and bring a new medicine to patients normally takes between 13-15 years we are also exploring ways to accelerate the research process, for example, by testing promising compounds on volunteers using a human challenge model, quickly giving us insight into the correct dose to develop for a new molecule.

 
SBMT: Why is MMV interested in investing time and knowledge to tackle common problems of poor countries?

 
David Reddy (MMV): At the turn of this century, the global community agreed to tackle poverty, underdevelopment and ill health by agreeing to the United Nation´s Millennium Development Goals (MDGs). MMV considers itself part of that community. We think it is unacceptable that malaria, despite being a preventable and treatable infectious disease, is still one of the major causes of death on the planet.

Over half of the world’s population exposed to the risk of infection, mainly in developing countries in sub-SaharanAfricaand in 2010, 655,000 died from the disease, 86% of whom were children under the age of 5. The correlation between malaria incidence and underdevelopment is stark. Countries with the highest burden of malaria are among the very poorest in the world, and typically have very low rates of economic growth.

In Brazil, 40 million Brazilians are at risk of malaria. In 2010, WHO estimated 334,618 confirmed cases of malaria in Brazil, of which 283,383 were cases of P. vivax and 47,406 of P. falciparum.

SBMT: Is there any specific study currently under development? What is the goal? How many people are involved? Who are your partners?

 
David Reddy (MMV): We have a number of exciting new molecules in development that will serve as alternatives to currently used therapy. One being developed in collaboration with Brazilian researchers that could be of interest is tafenoquine being developed by MMV in partnership with GlaxoSmithKline (GSK) for the radical cure of P. vivax malaria. A study has begun to define the correct dose of tafenoquine to be given with chloroquine in more than 320 patients that will be followed by another to test the safety and efficacy of tafenoquine at the dose chosen from the first part of the program in more than 600 additional patients fromBrazil,Peru,Thailand andIndia. InBrazil we are working with Brazilian researchers from the Tropical Medicine Foundation of Amazonas inManaus.

Radical cure is an urgent unmet need. While P. falciparum is cured when the parasite is in the patient’s blood, P. vivax has proven the most elusive to cure. The P. vivax parasite has an uncanny ability to remain dormant in the liver of its host in a form known as the hypnozoite. This liver-stage form can reactivate any time between 2-3 weeks and several years – leaving its victims vulnerable to relapsing into the feverish symptoms of malaria at any time and without warning.

Apart from death and ill health due to P. vivax, the contracting and relapsing of the disease also constitutes a barrier to economic development in highly-endemic areas. Brazilian studies have showed that malaria is also associated with poor school performance of children in endemic areas, such as Amazon.

The current medicine, primaquine, can cure this relapsing malaria but only if patients take the full treatment course of 7 or 14 days. Patients often find it difficult to comply with this regimen and what they need is a simpler course of medicine. Studies show that a single dose of tafenoquine provides better protection from relapse than primaquine – a significant improvement on the current 7 or 14 day courses. Tafenoquine could also provide significant public health benefits by increasing compliance and improving cure rates.

SBMT: Is MMV developing a specific drug for the treatment of malaria? At what stage are you? What is the expectation?

David Reddy (MMV): Since its foundation, MMV has assembled the largest-ever pipeline oDavid Reddy (MMV): Since its foundation, MMV has assembled the largest-ever pipeline of over 60 antimalarial drugs and drug candidates for the developing world. In fact, between 2009 and 2012, MMV has brought forward four new medicines:

* Coartem® Dispersible (artemether-lumefantrine) – the first affordable, high-quality pediatric ACT, developed with Novartis; 137 million treatments dispatched to 35 malaria-endemic countries since 2009

* Guilin Pharmaceuticals’ injectable artesunate (Artesun®), to cure severe malaria, received WHO prequalification in 2010; 3.2 million vials of this life-saving medicine have been delivered.

Two new once-a-day 3-day treatment, high-quality ACTs endorsed by the European Medicines Agency (EMA):

* Eurartesim® (dihydroartemisinin-piperaquine) developed with Sigma-Tau, provides longer and better protection from new malaria infections, approved by the EMA in November 2011.

* Pyramax® (pyronaridine-artesunate), our first new chemical entity developed with Korean partners Shin Poong, received a positive opinion under article 58 from the EMA to treat malaria in low transmission areas where artemisinin resistance was confirmed. It is the first ACT with a label indicating its use to treat the two main species of malaria parasite.

During these past four years, based upon drug distribution and clinical efficacy data, it has been estimated that MMV co-developed drugs have saved 350,000 lives so far.

SBMT: Do you think thatBrazil has the capacity to produce knowledge to develop innovative tools to fight neglected diseases? In your opinion, what is missing to make this happen?

David Reddy (MMV):Brazil is affected by several neglected diseases including malaria, which is mainly prevalent in theAmazonia region. Today,Brazil has expert researchers, world-renowned universities and a proactive private sector, all working on solutions for neglected diseases.Brazil is also currently head of the International Federation of Tropical Medicine. Due to its R&D capacities and knowledge, the country has an important role to play, at national and international levels, in the fight against neglected and poverty-related diseases.

However, much more can be done to help control and defeat neglected diseases and achieve the MDGs. Working in partnership, with PDPs such as MMV, can help accelerate the discovery and development of innovative tools and speed up the availability of affordable and high-quality health products.

SBMT: Is there any study that is being developed in partnership withBrazil? If not, is there any possibility? What are the barriers for this to occur?

David Reddy (MMV): In collaboration with GSK, MMV is evaluating the safety and efficacy of tafenoquine, the lead investigational medicine for the treatment of P. vivax (relapsing) malaria. Tafenoquine has the potential to cure the dormant liver form of P. vivax malaria, thus preventing future relapses. It is being developed as a potential single-dose treatment, which would be a significant improvement on the current 7 or 14 day courses of primaquine.

This phase 2b/3 clinical trial spans four malaria-endemic countries: Thailand, India, Peruand Brazil. These countries were selected for their particularly high burdens of malaria – in Brazil alone there were more than two and a half million suspected cases of malaria in 2010, mostly attributable to P. vivax. In addition, each country hosts clinical trial sites with the capability and facilities to conduct GCP (Good Clinical Practice) trials mandated by stringent regulators, such as the FDA, and will be able to follow-up patients for 6 months, which is important given the relapsing nature of P. vivax malaria.

The tafenoquine trial breaks new ground for MMV with the enrolment of the first-ever patients fromSouth Americainto an MMV-supported trial. The full number of patients needed for the phase 2b of the trial have been recruited and we are optimistic that the trial results will provide us with an effective dose of tafenoquine to be tested in phase 3 of the trial. At the same time, we continue to evaluate a point-of-care G6PD diagnostic test to be able to identify patients with this enzyme deficiency who may have tolerability issues with the particular group of compounds to which tafenoquine belongs.