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Prêmio Jovem Pesquisador: Petrolina apresenta altas taxas de leishmaniose em animais e humanos

Dissertação de mestrado foi o primeiro inquérito epidemiológico feito no município pernambucano abrangendo toda sua extensão territorial

13/11/2015
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O conhecimento mais detalhado da relação das doenças com o espaço onde elas se reproduzem ajuda a identificar padrões epidemiológicos, que auxiliam no seu controle e na sua predileção

No município de Petrolina, em Pernambuco, cerca de 11,6 casos de leishmaniose visceral em humanos são registrados anualmente. O alto índice de prevalência também é observado no principal reservatório doméstico da doença na localidade: o cão. É o que mostra a dissertação de mestrado da veterinária Andreina de Carvalho Araujo , reconhecida com o quinto lugar do Prêmio Jovem Pesquisador 2015. Segundo o estudo, 11,2% dos mais de 1,2 mil cães estudados apresentaram soropositividade para Leishmania infantum chagasi.

O mais impressionante é que, mesmo com dados preocupantes em relação à LVC, as medidas de controle não vêm surtindo efeito no município pernambucano, que tem uma população de quase 300 mil habitantes, de acordo com Andreina. Ela afirma ainda que a dissertação é o primeiro inquérito epidemiológico realizado em Petrolina depois de duas décadas.

“Apesar da grande ocorrência da doença, poucos estudos foram realizados no município. Além disso, os trabalhos avaliaram apenas uma região isolada, sem relação com os fatores inerentes à dinâmica populacional, aos dados de transmissão e distribuição da mesma”, explicou a pesquisadora.

O estudo teve como base a realização de um inquérito sorológico feito em 1.245 cães de todos os bairros do município, incluindo as zonas urbana e rural. Dos animais avaliados, 140 apresentarem-se reagentes aos dois métodos diagnósticos utilizados: Reação de Imunofluorescência e Indireta (RIFI) e o Ensaio Imunoenzimático (ELISA).

Andreina destaca que pesquisas com esse intuito são imprescindíveis em regiões endêmicas da LVC, por servirem como uma ferramenta para direcionar e priorizar ações específicas para cada área do município. “O conhecimento mais detalhado da relação das doenças com o espaço onde elas se reproduzem ajuda a identificar padrões epidemiológicos, que auxiliam no seu controle e na sua predileção”, ressalta.

A pesquisa foi conduzida sob a coordenação do doutor Mauricio Claudio Horta, no curso de Pós-graduação em Ciências Veterinárias no Semiárido da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). A equipe foi composta ainda por doutores, alunos de mestrado, de graduação e voluntários. Realizado entre outubro de 2013 e fevereiro de 2015, o trabalhou contou com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE).