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Saneamento e atendimento eficientes ainda são melhores armas para combater maláriaSanitation and efficient attendance are still best weapons against malaria

A Artilin, empresa francesa pertencente à Corporação Industrial do Norte (CIN)Artilin, a French company owned by the North Industrial Corporation

18/02/2014

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Distribuição de mosquiteiros impregnados com piretróides a toda a população africana exposta à doença custaria 17% do que é gasto nos países desenvolvidos com a proteção de animais domésticos contra ectoparasitos

A Artilin, empresa francesa pertencente à Corporação Industrial do Norte (CIN), assinou recentemente com a marca Boysen, do grupo Pacific Paint Philippines Inc, um acordo que estabelece a licença para fabricação, nas Filipinas, do Vinymat Ultra Insecticida – tinta que atua no combate aos insetos, ácaros e fungos. Segundomatéria divulgada na imprensa portuguesa, a descoberta também é eficaz no combate a malária.

Entretanto, Dr. Carlos Brisola, professor associado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), realça que o controle da doença é bastante complexo, precisa ser planejado e executado em cada região, de acordo com os dados de biologia do vetor, modo de transmissão e capacidade vetorial, além dos fatores ligados aos humanos e suas residências. “Certamente, a malária ligada a Anopheles gambiae é muito diferente daquela ligada a mosquitos de Anopheles (Kerteszia) ou a An. darlingi, no Brasil, ou a Anopheles stephensi na Índia. O efeito das condições da região e do vetor em Plasmodium falciparum é diferente daquele em P .vivax”, explica.

Dr. Brisola lembra que a malária ocorre predominantemente nos países tropicais, tanto pelas condições climáticas – que favorecem o desenvolvimento eficiente dos mosquitos e do ciclo do parasito nestes vetores – como pelas condições precárias de vida da população, que leva a um estreito contato com os mosquitos e a dificuldade no tratamento, facilitando o desenvolvimento do ciclo do parasito. “No entanto, ela já foi um grave problema de saúde pública em países de clima temperado, atualmente desenvolvidos, como a Inglaterra e até a Finlândia”, revela.

O especialista observa que os casos da doença foram controlados graças à melhora geral nas condições de saneamento e ao clima menos favorável ao desenvolvimento do ciclo. “Podem até voltar a ocorrer casos nestas regiões, com mudanças climáticas ou sociais, incluindo a migração e invasão por vetores, mas isto é improvável”, pondera ao admitir que há relato de casos de malária nos arredores de aeroportos na Inglaterra, mas não mais que isto, já que o ciclo é prejudicado pelo saneamento e atendimento eficientes.

Ausências de medidas e de investimento
“Os Estados Unidos, por exemplo, se mostram muito preocupados com a malária, mas principalmente com seus soldados, que costumam frequentar áreas endêmicas, e com o lucro que pode advir da produção de vacinas e medicamentos”, enfatiza ao afirmar que levantamentos mostram que a distribuição de mosquiteiros impregnados com piretróides a toda a população africana exposta à malária, evitando milhões de infecções e milhares de mortes, custaria 17% do que é gasto nos países desenvolvidos com a proteção de animais domésticos contra ectoparasitos.

 
Descoberta ainda exige estudos
Questionado se a tinta poderia representar a solução para prevenir a malária, o professor da UFSC adianta que os dados disponíveis noGoogle Acadêmico não permitem saber qual é a substância ativa, que, segundo ele, parece ser um piretróide.

Dr. Brisola diz que há um teste preliminar para Triatoma infestans, com bons resultados, e um na China para mosquitos, moscas e baratas em contato forçado, de espécies que não conseguiu descobrir. Ele lembra que contato forçado é uma situação artificial, pois os insetos podem jamais tocar as superfícies com o material, por sua biologia normal ou por repelência da substância. “A partir destes poucos dados, não se pode estar certo se o site não está injustificadamente eufórico com a utilidade deste material para o controle de malária”, analisa ao salientar que ele, inclusive, ilustra a notícia com foto de um mosquito que não é um Anopheles, possível distinguir pela posição de pouso e dos palpos curtos.

O especialista comenta que é pouco provável que o novo inseticida cause efeitos colaterais em humanos, mas reconhece que precisa ser muito bem testado, antes que se aprove sua utilização no País. “Somente após testes muito cuidadosos será possível saber se ela é realmente útil. E mesmo que isto seja comprovado, é necessário ver sua ação em diversos tipos de casas (madeira, taipa, reboco, tijolos descobertos, palha etc.) e em diversas situações epidemiológicas”, adverte ao declarar que convém desconfiar de panaceias para resolver” doenças, especialmente das complexas, como a malária. Dr. Brisola argumenta que o controle depende mais de investimento em medidas realmente eficientes e na melhora do atendimento à população.

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Distributing mosquito nets impregnated with pyrethroids to all the African population exposed to malaria would cost 17% of what is spent in the developed countries with pet protection against ectoparasites

Artilin, a French company owned by the North Industrial Corporation, recently signed with the Boysen brand, from the Pacific Paint Philippines Inc., an agreement that establishes a license for manufacturing, in the Phillipines, the Vinymat Ultra Insecticide – a paint that combats insects, mites and fungus. According to the article released in the Portuguese media, the discovery is also effective against malaria.

However, Dr. Carlos Brisola, associated professor form the Santa Catarina Federal University (UFSC), stresses that the disease’s control is very complex, needs to be planned and executed in each region, according to the vector’s biology, way of transmission and vector capacity, besides factors connected to humans and their homes. “Certainly, malaria connected toAnopheles gambiae is much different from the malaria connected to Anopheles (Kerteszia) or the An. Darling, in Brazil or even Anopheles stephensi in India. The effect of the region’s conditions and the vector in the Plasmodium falciparum is different than in the P. vivax”, explains.

Dr. Brisola reminds that malaria occurs predominantly in the tropical countries, due to both the climate conditions – that favors the mosquitoes’ efficient development and parasite life cycle in these vectors – and to the population’s precarious life conditions, living closely to the mosquitoes and difficulty in finding treatment, easing the parasite’s cycle development. “However it already was a severe public health problem in some now developed temperate climate countries such as England or Finland”, reveals.

The specialist observes that the disease’s cases were controlled due to a general enhance in the sewerage conditions and to the climate, that is less favorable to the cycle’s development. “There can be new cases in these regions, with social or climatic changes, including migration and vector invasion, but this is very unlikely”, ponders while admitting reports of malaria cases in the surroundings of English airports, but not more than this, once the cycle is impaired by the sanitation and efficient attendance.

Lack of actions and investment
“The United States, for example, shows to be very concerned about malaria, but especially with their soldiers, who often attend in endemic areas, and with the profit that can be achieved producing vaccines and medications”, emphasizes while affirming that surveys show that distributing mosquito nets impregnated with pyrethroids to all the African population exposed to malaria, avoiding millions of infections and thousands of deaths, would cost 17% of what is spent in the developed countries with pet protection against ectoparasites.

Discovery still needs research
Questioned whether the paint could be the solution for preventing malaria, the UFSC professor forwards that the available data in Google Scholar are not enough to know which is the active substance, that, according to him, seems to be a pyrethroid.

Dr. Brisola says that there are good results for a preliminary test for Triatoma infestans, and one in China for mosquitoes, flies and cockroaches in forced contact, of species that were not identified. He remembers that forced contact is an artificial situation, once the insects may never touch the surfaces impregnated with the material, due to its natural biology or because of the substance’s repellence. “From these few data, we cannot be sure if the website is gratuitously euphoric with this material’s application for malaria control”, analyzes while pointing that the article is illustrated with a picture of a mosquito that is not an Anopheles, possible to identify due to the landing position and short palps.

The specialist comments that it is not likely that the new insecticide will cause collateral effects in humans, but recognizes that it has to be very well tested, before its use is approved in the country. “Only after many careful tests it will be possible to know if it’s really useful. And even if this is proven, it is necessary to evaluate its action in several kinds of houses (wood, mud-house, plaster, brick, uncovered, etc.) and in several epidemiological situations”, adverts while saying that it is convenient to be suspicious with panaceas to “solve” diseases, especially the complex ones, such as malaria. Dr. Brisola argues that control is more dependent from efficient measures investment and enhancing the population’s attendance.