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Pesquisa questiona proibição de homossexuais de doarem sangue Research evaluates restriction for homosexuals to donate blood

Um dos autores, no entanto, pondera que a falta de evidência em estudos não significa a exclusão da ideia de que haja riscosOne of the authors, however, says the lack of scientific evidence does not implicate the exclusion of the idea that there are risks

11/05/2015

Dos

Dos 14 estudos analisados, 11 foram incapazes de demonstrar efeitos significativos porque a precisão dos resultados foi prejudicada pelo baixo número de doadores dentro do perfil

Pesquisa realizada pela Cruz Vermelha Belga contesta a proibição de homens que fazem sexo com homens de doarem sangue – regra que vale em cerca de 50 países. O Centro de Prática Baseada em Evidências da entidade realizou um tipo de revisão da literatura sobre o assunto e concluiu que, apesar de haver uma ligação entre doadores de sangue homossexuais e infecção pelo HIV, é muito precipitada a aplicação de uma política de proibição da prática.

Os autores coletaram todas as evidências disponíveis a partir de estudos que pudessem responder à seguinte pergunta: Os homens que fazem sexo com outros homens e são doadores de sangue representam um risco em termos de infecções transmissíveis por transfusão em países ocidentais?.

Dos 18.987 artigos retirados de cinco bases de dados científicos diferentes, apenas 14 passaram para análise posterior. Os outros foram excluídos por dois motivos: ou não puderam responder a questão de pesquisa ou continham artigos de opinião, em vez de evidências científicas. Os 14 textos incluídos pela equipe da Cruz Vermelha são estudos observacionais, ou seja, as pesquisas apenas observaram os participantes sem que eles fossem ativamente colocados em um grupo de tratamento ou controle (como seria no caso de um estudo experimental).

As pesquisas analisaram a incidência de infecções transmissíveis por transfusão de sangue de homens que fazem sexo com homens e dos doadores que não fazem sexo com homens, além disso, os estudos também buscaram o perfil de risco dos doadores de sangue infectados contra não-infectados.

Dentro dos 14 estudos analisados, 11 foram incapazes de demonstrar efeitos significativos porque a precisão dos resultados foi prejudicada pelo baixo número de doadores dentro do perfil “Homens que fazem sexo com homens”.

A única evidência disponível a partir das três pesquisas restantes apenas prevê uma ligação entre doadores de sangue no perfil pesquisado e infecção pelo vírus do HIV.

Uma dessas três pesquisas sugere que homens que fazem sexo com homens sejam proibidos de doar sangue por, pelo menos, um ano. Por outro lado, os outros dois mostram que o sangue de doadores no perfil da pesquisa é tão seguro quanto o de doadores que não tem relação sexual com outros homens. Portanto, em geral, nenhuma evidência convincente foi encontrada para apoiar a proibição.

No entanto, um dos autores da pesquisa, Dr. Philippe Vandekerckhove, pondera que a falta de evidência na pesquisa realizada pela equipe não significa a exclusão da ideia de que a doação de sangue feita por homens que fazem sexo com homens seja um risco na transmissão de doenças. Nós simplesmente mostramos que a pesquisa de alta qualidade não documenta o risco”, disse.

Discussão na Europa

O Tribunal de Justiça da União Europeia emitiu no dia 29 de abril uma sentença que permite excluir os homossexuais da doação de sangue. Com a decisão o Órgão permite que um Estado membro da União Europeia possa proibir permanentemente a doação feita por homens que tenham mantido relações sexuais com outros homens pelo “alto risco” de contrair doenças infecciosas.

O tribunal, contudo, deixa nas mãos da justiça francesa – que levou a questão às instâncias europeias – decidir se as leis desse país são proporcionais ao risco e se a evidência científica disponível basta para justificar a medida.

Out

Out of 14 analyzed studies, 11 were unable to demonstrate significant effects because the result’s precision was damaged by the small number of donors within the profile

A research conducted by the Belgium Red Cross contests the restriction for men who have sex with men to donate blood – a rule in at least 50 countries. The institution’s Evidence-based Practice Center conducted a kind of literature revision on the matter and concluded that, despite the existence of a connection between homosexual blood donors and HIV infection, the application of a prohibition policy is premature.

The authors collected all available evidence from studies that could answer the following question: “Are men who have sex with other men and are blood donors a risk of transmissible infections through blood transfusion in western countries?”

From the 18,987 articles downloaded from five different scientific databases, only 14 went to further analysis. The other were excluded for two reasons: either they were unable to answer the research’s question or contained opinion articles, instead of scientific evidence. The 14 articles selected by the Red Cross team are observational studies, which means the researches observed the participants without including them in a treatment or control group (as would be expected in an experimental study).

The researches analyzed the incidence of transmissible infections through blood transfusion from men who have sex with men and donors who do not have sex with men, besides this, the studies also compared the risk profiles between infected and non-infected blood donors.

From the 14 analyzed studies, 11 were unable to demonstrate significant effects because the result’s precision was damaged by the low number of donors within the profile “men who have sex with men”.

The only available evidence in the three remaining researches only foresees a connection between blood donors in the surveyed profile and infection by the HIV.

One of these three researches suggests that men who have sex with men are prohibited to donate blood for at least one year. On the other hand, the two other studies show that the blood from donors in the research’s profile is as safe as the blood from donors who do not have any sexual relation with other men. Therefore, generally, no convincing evidence was found to support the restriction.

However, one of the research’s authors, Dr. Philippe Vandekerckhove ponders that the lack of evidence in the team’s research does implicate the exclusion of the idea that blood donations from men who have sex with other men represents a disease transmission risk. “We only indicate that the high quality research does not document the risk”, he said.

Discussion in Europe

The EU Justice Court issued a sentence that allows to prohibit homosexuals from donating blood. With this decision, the Office allows a EU-member State to permanently prohibit the donation from men who had sex with other men due to the “high risk” of contracting infectious diseases.

The court, however, left to the French justice – who took the matter to the European instances – to decide if the laws of that country are proportional to the risk and if the available scientific evidence is enough to support the measure.