
O Dia Internacional da Mulher convida a comunidade científica a revisitar trajetórias que moldaram a Medicina Tropical no Brasil e ampliaram sua inserção internacional. A história da área reúne contribuições incontornáveis. Maria José von Paumgartten Deane exerceu papel central na elucidação da leishmaniose visceral americana na Amazônia, com investigações sobre vetores e ciclos de transmissão que fundamentaram estratégias de vigilância e controle. Lea Ferreira Camillo-Coura fortaleceu o estudo das parasitoses negligenciadas e incorporou abordagens de epidemiologia molecular em um período de transição tecnológica decisivo para o País.
Nas últimas décadas, pesquisadoras ampliaram presença em programas de pós-graduação, grupos de pesquisa e redes colaborativas no Brasil e no exterior. Assinam estudos de referência, coordenam ensaios clínicos, conduzem investigações epidemiológicas e ocupam funções estratégicas em universidades, institutos e sociedades científicas. O protagonismo é inequívoco, mas convive com desafios persistentes e fatores que impactam a progressão acadêmica.
A equidade de gênero integra a própria qualidade da produção científica. Ambientes institucionais diversos ampliam o repertório analítico, fortalecem a inovação e qualificam respostas a emergências sanitárias complexas. Na Medicina Tropical, área marcada por desigualdades sociais e regionais, essa perspectiva se torna ainda mais relevante. A SBMT enaltece a contribuição histórica e contemporânea das mulheres que sustentam a pesquisa, a assistência e a formação especializada. Valorizar esse legado, enfrentar assimetrias estruturais e ampliar oportunidades acadêmicas representa passo importante para consolidar uma ciência sólida, ética e socialmente comprometida.
Neste 8 de março, a SBMT reafirma seu compromisso com a promoção de ambientes institucionais inclusivos, com o fortalecimento de lideranças femininas e com o estímulo à participação de jovens pesquisadoras. A excelência acadêmica se constrói quando diferentes trajetórias encontram espaço legítimo de expressão, e quando o talento feminino dispõe de condições plenas para florescer na produção de conhecimento em prol da saúde tropical.



