Conitec avança na incorporação de L-AMB + miltefosina ao SUS para calazar em imunocomprometidos
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) divulgou, em relatório técnico de abril de 2026, recomendação pela incorporação da associação de anfotericina B lipossomal (L-AMB) com miltefosina ao Sistema Único de Saúde (SUS), visando tratar a leishmaniose visceral (LV) – conhecida como calazar – em pacientes imunocomprometidos, como portadores de HIV e transplantados.
A LV, transmitida por mosquitos como Lutzomyia longipalpis, é endêmica no Norte e Nordeste brasileiros, com aumento de casos entre imunossuprimidos: de 12,4% em 2021 para 19% em 2024 nas Américas. Sem tratamento, a doença, causada pela Leishmania infantum, provoca febre persistente, hepatoesplenomegalia, anemia e alta letalidade, com recidivas frequentes nesses grupos.
No SUS, o antimoniato de meglumina é primeira linha, mas contraindicado em muitos casos; a L-AMB já está disponível desde 2015. A proposta combina essa formulação intravenosa com a miltefosina oral (sem registro na Anvisa, mas autorizada para leishmaniose tegumentar), reduzindo doses, tempo de infusões e toxicidade.
Estudos limitados apontam maior cura inicial e menor recidiva com a dupla terapia, sem piora em efeitos adversos (gastrointestinais e renais leves).
Economicamente, gera economia de até R$ 1,6 milhão em cinco anos, ao cortar uso de L-AMB, o insumo mais caro.
A decisão foi debatida na 150ª Reunião Ordinária da Conitec, em abril de 2026. Agora, o tema vai à Consulta Pública nº 32 (22/4 a 11/5/2026), aberta a contribuições da sociedade no site da Conitec.



