
A hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, continua sendo uma das doenças negligenciadas de maior relevância em saúde pública, e novos dados sobre sua transmissão despertam atenção. A professora Dra. Patrícia Deps, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), membro do Leprosy Global Programme e da International Leprosy Association, apresentou uma pesquisa que investigou a relação entre o tatu-galinha e a transmissão da hanseníase no Brasil.
Em conjunto com outros pesquisadores, a Dra. Deps conduziu um estudo em 2023 que analisou a exposição ao tatu-galinha em pacientes com hanseníase. Embora a transmissão ocorra principalmente de pessoa a pessoa, há muitos casos de pacientes que não relatam contato direto com indivíduos infectados, o que sugere outras vias de transmissão. “Essa pesquisa reforça a importância de continuar estudando os vetores da doença para melhorar as estratégias de controle”, afirmou a especialista.
No estudo, foram coletados dados de 506 pacientes com hanseníase e 594 indivíduos no grupo de controle sobre exposição ao tatu. Entre os pacientes com hanseníase, 68% relataram contato direto com tatus, em comparação com 48% do grupo controle. “Esses resultados podem ajudar no controle da doença e na prevenção de uma possível disseminação mais ampla”, completou a Dra. Deps.
O Mycobacterium leprae pode ser transmitido por gotículas respiratórias em contato próximo e prolongado com indivíduos infectados. Além disso, a doença tem sido observada em vários mamíferos, como o tatu-galinha, gato-maracajá, anta brasileira, macacos-pregos, gambás, capivaras e pequenos roedores, o que reforça a preocupação com o potencial zoonótico da hanseníase.
Contágio de hanseníase de animais para seres humanos
O contágio pode ocorrer por meio da caça, manipulação ou consumo de carne de animais infectados. O convívio em áreas onde há contato direto ou indireto com esses animais também representa um risco.




