MEDTROP 2026 inicia programação com cursos pré-congresso e debate sobre doenças negligenciadas

O 11º Fórum de Doenças Negligenciadas reuniu lideranças para discutir como demandas de quem vive essas doenças podem se transformar em políticas públicas

 

Entre os destaques do primeiro dia, o 11º Fórum de Doenças Negligenciadas, trouxe como tema “Nada sobre nós sem nós: como lideranças transformam demandas sociais em políticas públicas”. A discussão abordou a participação das pessoas afetadas por essas doenças na construção das políticas públicas de saúde e na definição de prioridades para o cuidado.

As doenças negligenciadas afetam principalmente populações em situação de vulnerabilidade e envolvem desafios de diagnóstico, tratamento, prevenção e acesso aos serviços de saúde. Entre elas estão a hanseníase, a doença de Chagas, as leishmanioses, a esquistossomose, o tracoma e outras doenças tropicais negligenciadas. No fórum, a discussão partiu também da experiência de quem vive ou já viveu essas condições para pensar caminhos mais inclusivos de atenção.

Entre as principais demandas apresentadas durante o encontro estão o acesso a medicamentos, novas tecnologias e a ampliação das opções de tratamento. Um dos desafios apontados é a oferta de medicamentos para crianças, que ainda não contempla todas as necessidades relacionadas às doenças negligenciadas.

“Os que já existem são antigos e alguns pacientes apresentam intolerância ou têm dificuldades com os medicamentos disponíveis hoje. Nós precisamos de novos fármacos”, afirma Pollyane Medeiros, curada da hanseníase, e integrante da Coordenação Nacional do Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN) e coordenadora do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN) em Jaboatão dos Guararapes (PE).

Para Pollyane, o desafio não está apenas na formulação das políticas, mas também em garantir que elas sejam efetivamente implementadas e cheguem à população. “Muitas vezes falta vontade política, porque as leis já existem, mas não são colocadas em prática. Nós precisamos de mais inclusão, de políticas públicas que realmente sejam inclusivas e que isso atinja toda a população”, destaca.

A participação social foi um dos pontos centrais do fórum. A presença de pacientes, lideranças e movimentos sociais permite levar para os espaços de decisão as necessidades identificadas nos territórios e ampliar o diálogo entre sociedade, profissionais de saúde e gestores públicos.

A programação do MEDTROP 2026 segue neste domingo (16), com a abertura oficial do congresso, e vai até quarta-feira (19). Ao longo dos próximos dias, especialistas e pesquisadores de diferentes áreas estarão reunidos para discutir doenças tropicais, vigilância, diagnóstico, prevenção, tratamento, inovação, mudanças climáticas e políticas de saúde.

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