Mudanças climáticas redesenham mapa das doenças infecciosas

Temperatura, chuvas, eventos extremos, urbanização e desigualdades sociais alteram a dinâmica de doenças transmitidas por vetores, pela água e por outras vias

No Brasil, dengue, Chikungunya, Zika, malária, leishmanioses, leptospirose e doenças diarreicas refletem a interação entre ambiente, desigualdade social, saneamento e vigilância

As mudanças climáticas já interferem na dinâmica das doenças infecciosas e ocupam lugar central na agenda da Medicina Tropical. Uma revisão publicada em maio na revista Nature Medicine, intitulada Climate change and infectious diseases , reúne evidências sobre os efeitos da temperatura, da precipitação, da umidade, dos eventos extremos e das alterações demográficas na distribuição, na sazonalidade, na intensidade e na previsibilidade de diferentes doenças. O artigo mostra que o clima não atua de forma isolada. Seus efeitos dependem da interação com condições ambientais, sociais e sanitárias, como urbanização, saneamento, mobilidade humana, uso do solo, presença de vetores, acesso aos serviços de saúde, imunidade da população e capacidade de vigilância. No Brasil, essa relação aparece em diferentes agravos. Dengue, Chikungunya, Zika, malária, leishmanioses, leptospirose e doenças diarreicas resultam da combinação entre agentes infecciosos, vetores ou reservatórios, condições ambientais e vulnerabilidades sociais.

O pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz da Fundação Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Dr. Bruno Carvalho, especialista em ecologia e distribuição de vetores, com atuação na interface entre clima, ambiente e saúde, explica que o clima é apenas um dos fatores que influenciam a dinâmica espacial e temporal das doenças infecciosas. “A relação entre variáveis climáticas e transmissão não é linear e não permite concluir que o aumento da temperatura ou das chuvas provoque, automaticamente, maior circulação de um patógeno. Determinado volume de chuva pode ser necessário para a formação e a manutenção de criadouros de mosquitos. Precipitações muito intensas, no entanto, podem lavar esses criadouros e reduzir a população de vetores”, afirma. Segundo o pesquisador, a temperatura também produz efeitos distintos, conforme a espécie e as condições ambientais. “Níveis moderadamente mais altos podem favorecer o desenvolvimento de algumas espécies, enquanto o calor extremo pode comprometer a sobrevivência dos vetores ou interferir no ciclo dos patógenos”, acrescenta o pesquisador.

Essa complexidade também é destacada pela revisão Effects of climate change and human activities on vector-borne diseases , publicada em 2024 na revista Nature Reviews Microbiology. O trabalho reporta que temperatura, precipitação e umidade podem afetar a reprodução, a sobrevivência e a distribuição geográfica dos vetores, além da capacidade de transmissão dos patógenos. Esses efeitos, porém, interagem com fatores como uso do solo, desmatamento, urbanização, mobilidade humana e comportamento social. Por isso, as mudanças climáticas podem redistribuir vetores e doenças transmitidas por eles, mas os efeitos variam conforme a espécie, o patógeno e as condições ambientais e sociais de cada território.

A revisão da Nature Medicine reforça essa interpretação ao demonstrar que a influência das variáveis climáticas sobre as doenças infecciosas apresenta relações não lineares e varia entre territórios, agentes e populações. Em consonância com a análise do Dr. Carvalho, o estudo indica que alterações de temperatura, precipitação e umidade podem modificar a distribuição e a sazonalidade dos agravos, mas não explicam isoladamente o risco de transmissão. Esse risco resulta da interação entre vetores, patógenos, hospedeiros, reservatórios, condições ambientais, infraestrutura e características das populações humanas.

Vetores podem migrar, adaptar o comportamento ou desaparecer localmente

As alterações de temperatura, umidade e precipitação modificam as condições de sobrevivência de vetores, reservatórios e patógenos. Esse processo pode reorganizar a distribuição geográfica e a sazonalidade das doenças, sem implicar aumento automático do risco de transmissão. Quando as condições locais deixam de ser favoráveis, diferentes espécies podem migrar para áreas mais adequadas, modificar o comportamento ou tolerar condições adversas. Quando nenhuma dessas respostas é suficiente, podem provocar prejuízos fisiológicos e, em alguns casos, redução da população ou extinção local. “Estudos de campo que monitoram populações de vetores têm demonstrado maior frequência da primeira opção, com espécies se dispersando para áreas com condições climáticas mais favoráveis”, aponta o Dr. Carvalho.

A movimentação dos vetores pode modificar a epidemiologia das doenças em duas dimensões. No espaço, pode favorecer o surgimento de áreas com condições mais propícias à transmissão. No tempo, pode alterar a duração dos períodos de maior potencial de circulação de determinados patógenos, com antecipação ou prolongamento de épocas favoráveis. “Há uma mudança no padrão de interação entre essas espécies, com consequente impacto na epidemiologia das doenças”, esclarece o pesquisador.

A temperatura também influencia diferentes etapas do ciclo de transmissão, entre elas a sobrevivência do vetor, a frequência de picadas, o desenvolvimento larval e o período necessário para que o patógeno se torne transmissível no organismo do vetor. Esses efeitos, contudo, dependem das características de cada espécie e das condições ambientais, sociais e epidemiológicas presentes no território. De acordo com o Dr. Carvalho, a ocorrência de surtos depende também das transformações ambientais, das condições de vida e das medidas de manejo e controle presentes em cada território. Vetores, hospedeiros e patógenos vivem em ambientes modificados pela ação humana e, em muitos casos, também estão sujeitos a medidas de manejo e controle. “O clima é um entre muitos fatores determinantes da dinâmica espaço-temporal das doenças infecciosas. Ele explica parte da história”, frisa.

Ainda de acordo com o pesquisador, as doenças resultam da interação entre sistemas naturais e antrópicos e, por isso, a análise deve considerar as condições socioeconômicas, o acesso à água potável e ao saneamento, a qualidade das moradias, a densidade e o crescimento populacional, a mobilidade humana, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, a suscetibilidade imunológica, a presença e a distribuição de vetores e a capacidade de vigilância e resposta dos serviços de saúde. “As doenças são manifestações clínicas que surgem dessa interação entre os sistemas naturais e os antrópicos, com toda sua complexidade social e cultural”, argumenta.

Além disso, a mesma alteração ambiental pode produzir efeitos distintos em territórios diferentes. Um volume intenso de chuva, por exemplo, pode causar impactos limitados em uma área com drenagem adequada, coleta regular de resíduos e rede de saúde estruturada. Já em um território marcado pela ocupação de áreas de risco, pelo saneamento básico insuficiente e por serviços públicos de saúde frágeis, a mesma precipitação pode favorecer enchentes, contaminação da água, deslocamentos populacionais e aumento da exposição a agentes infecciosos. “As mudanças climáticas não criam sozinhas problemas como a falta de saneamento ou a desigualdade urbana. Elas podem, contudo, ampliar a frequência, a intensidade ou a duração dos impactos na saúde decorrentes dessas vulnerabilidades”, observa o Dr. Carvalho.

As doenças transmitidas pela água ocupam lugar importante nesse debate. Chuvas intensas, inundações, falhas na infraestrutura de abastecimento e serviços de saneamento precários podem aumentar a exposição a vírus, bactérias e parasitas. No Brasil, esse risco envolve leptospirose, doenças diarreicas, hepatite A e parasitoses intestinais, entre outros agravos. Durante as enchentes, a água pode carregar esgoto, resíduos, lama contaminada e urina de roedores. A contaminação de poços, reservatórios e redes de abastecimento compromete a segurança da água e dificulta a adoção de medidas de proteção. As secas prolongadas também produzem efeitos relevantes. A redução da disponibilidade de água pode estimular o armazenamento doméstico em recipientes inadequados, favorecer a proliferação de mosquitos e levar ao consumo de fontes sem tratamento adequado. Em áreas com abastecimento intermitente, a população pode armazenar água por longos períodos. Quando os recipientes permanecem destampados ou não são higienizados de maneira adequada, tornam-se potenciais criadouros de Aedes aegypti, vetor de dengue, Chikungunya e Zika.

Doenças tropicais respondem a múltiplos fatores

A resposta aos impactos climáticos não se limita à previsão meteorológica. Ela depende de investimentos em abastecimento contínuo de água, saneamento básico, drenagem urbana, coleta e destinação adequada de resíduos, moradia segura, vigilância epidemiológica e laboratorial, atenção primária e comunicação de risco. Sem essas medidas, os alertas climáticos têm capacidade limitada de reduzir danos. “No caso da malária, a transmissão depende da presença de vetores capazes de transmitir o agente infeccioso, das condições ecológicas, da dinâmica das populações de mosquitos e da rapidez no diagnóstico e no tratamento. Alterações ambientais podem modificar a distribuição dos vetores, mas a ocorrência de transmissão também depende do contato entre pessoas infectadas, mosquitos e populações suscetíveis”, detalha o pesquisador.

Ainda segundo o Dr. Carvalho, as leishmanioses envolvem relações complexas entre flebotomíneos, reservatórios, seres humanos e ambientes naturais ou modificados. Desmatamento, expansão urbana, ocupação de áreas periurbanas e mudanças no uso do solo podem alterar os pontos de contato entre esses componentes. Nas arboviroses urbanas, a presença de Aedes aegypti se combina com adensamento populacional, mobilidade humana, circulação viral, condições de armazenamento de água e desigualdades na infraestrutura urbana. “A temperatura e a chuva influenciam o ciclo do mosquito, mas não determinam sozinhas a ocorrência de epidemias. Em todas essas situações, o risco depende da interação entre fatores ambientais e sociais”, atenta. Para ele, a análise precisa considerar não apenas onde o vetor está presente, mas também a presença do patógeno, a suscetibilidade da população, a intensidade da vigilância e a capacidade de resposta dos serviços.

Outro fator mencionado é a insuficiência de dados sobre os vetores. Embora a disponibilidade de informações climáticas tenha avançado nos últimos anos, com o uso de imagens de satélite, estações meteorológicas e modelos de reanálise, ainda existem lacunas importantes no monitoramento das populações de vetores. Segundo o Dr. Carvalho, faltam registros com cobertura temporal e espacial suficientes para avaliar como mosquitos, flebotomíneos, carrapatos e outros artrópodes respondem às mudanças ambientais. “É de extrema importância que os programas de vigilância entomológica das secretarias estaduais e municipais de saúde sejam fortalecidos e subsidiados, para que conduzam efetivamente suas ações de monitoramento entomológico contínuo”, pondera. Ele também defende a inclusão desses registros em bases nacionais públicas sobre a ocorrência de vetores, à semelhança dos sistemas de notificação de doenças disponibilizados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS).

Na avaliação do Dr. Carvalho, o acesso aberto aos dados pode facilitar a realização de estudos e permitir a comparação de informações de diferentes regiões e períodos. Ele também destaca a relevância das coleções entomológicas, que reúnem décadas de registros sobre a ocorrência de espécies de importância médica. A digitalização desses acervos tem ampliado a disponibilidade das informações em plataformas como o Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) e o Global Biodiversity Information Facility (GBIF). Segundo o pesquisador, programas voltados à pesquisa ecológica de longa duração e à síntese de dados sobre biodiversidade também desempenham papel importante. Entre as iniciativas mencionadas estão o Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD), o Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) e o Centro de Síntese em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (SinBiose).

Riscos podem alcançar novas áreas

O aquecimento global, a circulação internacional de pessoas e mercadorias, as transformações ambientais e as mudanças na distribuição ou no comportamento dos vetores podem favorecer a presença de determinados patógenos em regiões antes consideradas pouco prováveis. Esse fenômeno aparece em estudos sobre a transmissão local de arboviroses em áreas temperadas e sobre a expansão de vetores para novos territórios. Essa expansão não elimina a carga desproporcional de doenças infecciosas que atinge os países tropicais. No Brasil, essa carga permanece associada à pobreza, às desigualdades territoriais, ao saneamento insuficiente e à exposição ambiental.

Ao mesmo tempo, países de clima temperado passam a enfrentar riscos antes considerados distantes. Esse cenário reforça a necessidade de cooperação internacional em vigilância, pesquisa, diagnóstico e preparação dos serviços de saúde. A expansão ou alteração das áreas de ocorrência também recomenda cautela no uso do termo “doenças tropicais”. A classificação histórica não acompanha necessariamente a circulação atual de agentes, vetores e reservatórios. Patógenos tradicionalmente associados aos Trópicos podem encontrar condições de transmissão em outras regiões, enquanto as áreas tropicais permanecem entre as mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.

Os efeitos das mudanças climáticas sobre as doenças infecciosas se somam a problemas já presentes, como envelhecimento populacional, urbanização acelerada, insegurança alimentar, deslocamentos humanos e desigualdades persistentes. Crianças, idosos, gestantes, pessoas imunossuprimidas, populações indígenas, comunidades ribeirinhas, trabalhadores expostos ao ambiente, moradores de áreas periféricas e pessoas em situação de deslocamento podem enfrentar riscos distintos, conforme o território e o agente infeccioso envolvido. “O clima sozinho não determina o risco de adoecimento de uma população. Dois bairros expostos à mesma temperatura ou ao mesmo volume de chuva podem enfrentar cenários sanitários bastante distintos. As diferenças estão relacionadas às condições de moradia, à qualidade da drenagem urbana, ao acesso à água tratada, à coleta de lixo, à presença de unidades de saúde, à capacidade de diagnóstico e à rapidez da resposta do poder público. Nessa situação, o clima atua sobre desigualdades já existentes e pode ampliá-las. A adaptação climática em saúde também deve ser compreendida como uma agenda de redução de vulnerabilidades”, conclui o Dr. Carvalho.

Para o Brasil, a preparação exige integração entre vigilância epidemiológica, vigilância ambiental, vigilância entomológica, atenção primária, laboratórios, defesa civil, meteorologia, planejamento urbano e saneamento. Dados meteorológicos, imagens de satélite, registros de doenças, informações laboratoriais, monitoramento de vetores, indicadores sociais e padrões de mobilidade podem aprimorar os sistemas de alerta precoce. “A previsão, por si só, não reduz o risco. Um alerta sobre o aumento da probabilidade de dengue, leptospirose ou doenças diarreicas precisa estar associado a medidas concretas, como reforço das equipes, ampliação da capacidade diagnóstica, organização da rede assistencial, controle vetorial, comunicação de risco e proteção das populações mais expostas”, adverte o pesquisador, cujo trabalho investiga como fatores ambientais, em especial as mudanças climáticas, influenciam a distribuição geográfica e a incidência de vetores de doenças infecciosas. Esse conjunto de dados climáticos, epidemiológicos e sociais contribui para o desenvolvimento de modelos preditivos aplicados à Saúde Pública.

Adaptação exige planejamento, vigilância e ação

Uma iniciativa voltada a esse objetivo é o Plano Setorial de Saúde para Adaptação à Mudança do Clima, o AdaptaSUS. A proposta busca o fortalecimento da vigilância em saúde e a incorporação de informações climáticas e ambientais ao planejamento de municípios e estados. “O AdaptaSUS entende a importância de fortalecer a vigilância em saúde, especialmente nas secretarias municipais e estaduais, e de incorporar informações climáticas e ambientais ao planejamento. Essa integração é fundamental para antecipar riscos e reduzir vulnerabilidades”, lembra o Dr. Carvalho. A Fiocruz também desenvolve ações de apoio aos serviços de saúde, entre elas a Plataforma AdaptaSUS municipal, do Observatório de Clima e Saúde. A ferramenta reúne dados e informações para auxiliar os municípios na elaboração de planos de adaptação.

A revisão da Nature Medicine demonstra que o clima modifica probabilidades, desloca períodos de transmissão, altera áreas de risco e pode tornar alguns surtos menos previsíveis. Não existe, contudo, determinismo climático. A ocorrência de uma doença depende da convergência entre ambiente, infraestrutura, comportamento humano, desigualdade social, mobilidade, presença de vetores, exposição e capacidade de resposta. Para a Medicina Tropical, essa realidade amplia a necessidade de diálogo com áreas como climatologia, urbanismo, saneamento, ecologia, ciência de dados, ciências sociais e defesa civil. A antecipação de surtos depende de modelos que integrem variáveis ambientais e sociais, mas também de serviços públicos capazes de transformar informação em ação.

No Brasil, de acordo com o Dr. Carvalho, essa agenda passa pelo fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), pela vigilância territorializada, pela ampliação do monitoramento entomológico, pelo investimento em saneamento, pela pesquisa sobre doenças tropicais negligenciadas e pela preparação para emergências associadas a eventos extremos. “A questão já não se limita a saber até onde determinados vetores e patógenos podem chegar. O desafio é identificar quais populações estão mais expostas, quais serviços podem entrar em colapso e quais medidas reduzem os danos antes que um evento climático se transforme em uma emergência sanitária”, finaliza.

Saiba mais:

Climate change and infectious diseases: Apresenta uma síntese sobre como as mudanças climáticas podem alterar a distribuição, a sazonalidade e a carga das doenças infecciosas. O artigo destaca a influência de eventos extremos, da variabilidade climática e das desigualdades sociais na ocorrência de surtos, além da importância de modelos epidemiológicos e de novas fontes de dados para orientar a vigilância e a prevenção. https://www.nature.com/articles/s41591-026-04377-8

Effects of climate change and human activities on vector-borne diseases: Analisa os efeitos da temperatura, da chuva e da umidade sobre o ciclo de vida dos vetores e a transmissão de patógenos. Também considera fatores associados à ação humana, como mudanças no uso do solo, mobilidade populacional e comportamento, mostrando que o impacto climático sobre as doenças transmitidas por vetores é complexo e varia conforme o agente, o vetor e o território.

https://www.nature.com/articles/s41579-024-01026-0

Tropical diseases in the context of climate change and emerging European transmission: Discute como as mudanças climáticas, as transformações ambientais e a intensificação da conectividade global podem modificar a distribuição geográfica de doenças tradicionalmente associadas às regiões tropicais. Utiliza a emergência de ciclos de transmissão na Europa para questionar a divisão rígida entre doenças “tropicais” e “temperadas”.

https://journals.plos.org/plosntds/article?id=10.1371/journal.pntd.0014038

Waterborne diseases and climate change: Examina a relação entre temperatura, chuvas intensas, inundações, secas e eventos climáticos extremos e a transmissão de doenças veiculadas pela água. A revisão mostra que os efeitos variam entre bactérias, vírus e parasitas e destaca o papel do saneamento, da vacinação, da vigilância epidemiológica e das medidas de higiene na redução dos riscos.

https://www.nature.com/articles/s41579-026-01338-3

El Niño/Southern Oscillation Diagnostic Discussion: Reúne o acompanhamento técnico das condições do El Niño–Oscilação Sul (ENOS), com informações sobre temperatura da superfície do mar, circulação atmosférica e previsões climáticas. É uma fonte de monitoramento para compreender como as diferentes fases do fenômeno podem influenciar os padrões de chuva e temperatura em várias regiões. https://www.cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/enso_advisory/ensodisc.shtml

El Niño forms, expected to strengthen, say NOAA forecasters: Apresenta a avaliação dos meteorologistas da NOAA sobre a formação e a possível intensificação do El Niño. A fonte contribui para contextualizar as projeções climáticas e seus potenciais efeitos sobre a distribuição de chuvas, as temperaturas e a ocorrência de eventos extremos, sem estabelecer uma relação direta e automática com doenças específicas.

https://www.noaa.gov/news-release/el-nino-forms-expected-to-strengthen-say-noaa-forecasters

Global Seasonal Climate Update for July-August-September 2026: Oferece uma perspectiva climática sazonal global para o trimestre de julho a setembro de 2026, com projeções de temperatura, precipitação e evolução dos principais padrões de circulação oceânico-atmosférica. O material auxilia no planejamento antecipado de ações de vigilância, preparação e resposta em saúde.

https://wmo.int/media/update/global-seasonal-climate-update-july-august-september-2026

Plataforma AdaptaSUS municipal: Disponibiliza informações para apoiar a análise dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde nos municípios brasileiros. A ferramenta permite relacionar riscos climáticos, vulnerabilidades sociais, condições ambientais e possíveis efeitos sobre doenças sensíveis ao clima, contribuindo para o planejamento de políticas públicas e estratégias locais de adaptação.

https://shiny.icict.fiocruz.br/adaptasus/

Relatório de Avaliação da Amazônia 2025 – Conectividade da Amazônia para um Planeta Vivo, do Painel Científico para a Amazônia (SPA): o documento, lançado durante a COP30, examina a conectividade ecológica e sociocultural como elemento central para a conservação da Amazônia, o desenvolvimento sustentável e o bem-estar humano e ambiental. O Capítulo 3 (Conectividade para a Saúde), liderado pelo pesquisador Bruno Carvalho (IOC/Fiocruz) e pela professora Sandra Hacon (ENSP/Fiocruz), analisa como as mudanças climáticas se articulam às transformações no uso e na cobertura da terra, com repercussões sobre populações de vetores e hospedeiros e, consequentemente, sobre a epidemiologia das doenças infecciosas.

https://www.sp-amazon.org/br/ar2025#connectivity-for-health

As revisões científicas, os documentos de monitoramento climático e a plataforma de apoio à gestão pública devem ser interpretadas em conjunto, pois a ocorrência de doenças depende da interação entre clima, condições ambientais, infraestrutura, comportamento, vulnerabilidade social, presença de vetores ou agentes infecciosos e capacidade de vigilância e resposta.

Esta reportagem reflete exclusivamente a opinião do entrevistado.

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