Criada a partir das discussões do Consenso Brasileiro em Doença de Chagas, a Rede Chagas/HIV consolidou-se como referência no estudo e na atenção à coinfecção T. cruzi/HIV
Recentemente, A Rede Internacional de Atenção e Estudos em Coinfecção Trypanosoma cruzi/HIV e outras Condições de Imunossupressão lançou o site https://chagashiv.com, uma plataforma dedicada à divulgação de informações científicas, materiais técnicos e atualizações sobre a coinfecção por Trypanosoma cruzi e HIV, outras condições de imunossupressão associadas ao risco de reativação (reagudização) da doença de Chagas. A iniciativa amplia o acesso ao conhecimento científico e fortalece a integração entre serviços de saúde, pesquisadores, profissionais da assistência, gestores e sociedade civil, reunindo conteúdos voltados à vigilância, ao diagnóstico, ao tratamento, à assistência e à pesquisa.
O lançamento do portal conta com a parceria institucional da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), que contribuirá para ampliar a divulgação das ações da Rede Chagas/HIV por meio de seus canais oficiais. A cooperação contempla, ainda, a divulgação recíproca de conteúdos nos portais das duas instituições, fortalecendo a visibilidade das iniciativas voltadas ao enfrentamento da coinfecção e de outras condições de imunossupressão.
Como parte dessa parceria, o canal oficial da SBMT no YouTube vai transmitir, no dia 16 de agosto de 2026, a 3ª Oficina/Curso da Rede Chagas/HIV, atividade integrante da programação científica do MEDTROP 2026. O evento vai reunir especialistas nacionais e internacionais, bem como representantes do Ministério da Saúde do Brasil para discutir os avanços científicos, os desafios assistenciais e as perspectivas para o cuidado de pessoas com doença de Chagas associada ao HIV e a outras condições de imunossupressão.
Embora a coinfecção T. cruzi/HIV seja reconhecida como uma condição clínica de elevada relevância, ainda permanece subdiagnosticada e subnotificada em muitos serviços de saúde. Nas pessoas coinfectadas, a infecção por T. cruzi pode sofrer reativação parasitológica, resultando em sintomas clínicos graves, com acometimento predominante do sistema nervoso central e cardíaco. Quando o diagnóstico e o tratamento não são realizados oportunamente, a morbimortalidade é elevada.
Para a Coordenadora da Rede Internacional de Atenção e Estudos em Coinfecção Trypanosoma cruzi/HIV e outras Condições de Imunossupressão, Dra. Tycha Bianca Sabaini Pavan, o novo site nasce como uma ferramenta de integração entre ciência, assistência e vigilância. “A Rede Chagas/HIV, que também conta com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), tem o compromisso de aproximar o conhecimento científico da prática dos serviços de saúde, promovendo a integração entre assistência, pesquisa, ensino e vigilância. O site foi criado para reunir informações confiáveis, baseadas em evidências científicas e disponibilizar documentos técnicos, protocolos, materiais educacionais e atualizações relevantes, além de fortalecer a comunicação e a cooperação entre profissionais de saúde, pesquisadores, gestores, instituições e demais atores envolvidos no cuidado de pessoas com doença de Chagas, HIV e outras condições de imunossupressão”, destaca.
Ainda segundo ela, o portal reúne conteúdos voltados a diferentes públicos, incluindo médicos, pesquisadores, profissionais de laboratório, estudantes, gestores e equipes de vigilância. Entre os temas abordados estão diagnóstico, monitoramento clínico e parasitológico, tratamento, seguimento de pacientes, publicações científicas, diretrizes e ações no Brasil e em outros países.
Para o presidente da SBMT, Dr. Gustavo Romero, a parceria com a Rede Chagas/HIV amplia a visibilidade da plataforma e reforça o papel da Sociedade na difusão de conhecimento qualificado sobre doenças tropicais negligenciadas, infecciosas e parasitárias. Além da divulgação do site, a SBMT também vai transmitir, em 16 de agosto, um evento promovido pela da Rede Chagas/HIV em seu canal oficial no YouTube, contribuindo para ampliar o acesso de profissionais e instituições às discussões científicas sobre o tema. A transmissão faz parte da grade científica do MEDTROP 2026, realizado em Brasília, até o dia 19 de agosto.
A vice-coordenadora da Rede Chagas/HIV, Dra. Marisa Liliana Fernandez, médica infectologista com ampla experiência em investigação clínica da doença de Chagas em Buenos Aires, Argentina, ressalta que a iniciativa tem dimensão regional e internacional, uma vez que a doença de Chagas ultrapassa fronteiras e exige respostas articuladas entre países. “A doença de Chagas é um problema de saúde pública que envolve diferentes realidades epidemiológicas. A plataforma permite compartilhar experiências, divulgar recomendações e fortalecer a cooperação entre equipes da América Latina e de outras regiões. Essa integração é essencial para melhorar o diagnóstico, o acompanhamento e a resposta assistencial nos casos de coinfecção e imunossupressão”, acrescenta.
Segundo a OMS, cerca de 8 milhões de pessoas vivem com infecção pelo T. cruzi no mundo, principalmente na América Latina. Apesar dos avanços no controle da transmissão vetorial, materno-infantil e transfusional em vários países, persistem desafios relacionados ao diagnóstico tardio, ao acesso ao tratamento, à vigilância da transmissão congênita e ao cuidado de populações em situação de vulnerabilidade. Entre pessoas com o sistema imunológico comprometido, esses desafios se tornam ainda mais complexos. A identificação da infecção por T. cruzi em pessoas vivendo com HIV e outras condições de imunossupressão é considerada uma medida importante para reduzir o risco de reativação e qualificar o acompanhamento clínico.
Acompanhe a transmissão da 3ª Oficina/Curso da Rede Chagas/HIV, atividade integrante da programação científica do MEDTROP 2026, no dia 16 de agosto, pelo canal da SBMT no YouTube. O evento vai das 8h às 17h, com intervalo para o almoço. O site da Rede Internacional de Atenção e Estudos em Coinfecção Trypanosoma cruzi/HIV e outras Condições de Imunossupressão está disponível em https://chagashiv.com.
Esta reportagem reflete exclusivamente a opinião do entrevistado.



