Ministro da Saúde destaca no MEDTROP 2026 avanços e desafios para eliminar doenças tropicais

Em conferência, Alexandre Padilha apresentou resultados do Programa Brasil Saudável e falou sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde

Os avanços do Brasil no enfrentamento das doenças tropicais negligenciadas (DTNs) e os desafios para eliminar essas enfermidades estiveram no centro da conferência do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta segunda-feira (17), durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MEDTROP 2026), em Brasília.

Na apresentação “Balanço do Brasil Saudável: compromissos e desafios para os próximos anos”, o ministro destacou que o Brasil está entre os 16 países que concentram 80% dos casos de doenças tropicais negligenciadas no mundo. O Programa Brasil Saudável reúne 14 doenças e infecções e estabelece metas de eliminação, com atuação prioritária em 209 municípios.

A malária foi um dos principais destaques, o País encerrou 2025 com a menor taxa de casos dos últimos 48 anos, enquanto a Terra Indígena Yanomami registrou redução superior a 50%. Atualmente, 80% dos casos estão concentrados em 28 municípios.

“Nós temos a missão, a visão de que o Brasil pode ser um País sem transmissão de malária”, afirmou Padilha. A meta é zerar as mortes até 2030 e eliminar a transmissão até 2035.

Resultados também foram apresentados no enfrentamento da hanseníase, da tuberculose e da oncocercose. Na hanseníase, 81,3% dos municípios brasileiros estão há cinco anos consecutivos sem registrar casos novos em menores de 15 anos. Já o uso do teste rápido molecular para tuberculose passou de 4,3% para 63%.

Mudanças climáticas

Os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde também fizeram parte da conferência. “As mudanças climáticas não impactam todas as populações da mesma forma”, afirmou o ministro.

A Amazônia, o semiárido nordestino e áreas urbanas sujeitas a deslizamentos foram citados entre os territórios mais vulneráveis. Além dos impactos diretos sobre a população, as mudanças no clima afetam o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS), como o acesso aos serviços e a distribuição de medicamentos.

Nesse sentido, o Ministério da Saúde conta com um painel de excesso de calor que projeta, com até cinco dias de antecedência, os riscos associados às altas temperaturas em cada município brasileiro. A ferramenta considera também fatores como saneamento, condições de moradia e estrutura dos serviços de saúde.

Outro avanço destacado foi a eliminação da transmissão vertical do HIV. O Brasil já recebeu a certificação e, em julho, entregou à Organização Mundial da Saúde (OMS) o dossiê referente à hepatite B. A sífilis permanece como um dos desafios.

“A sífilis é a nossa pendência”, afirmou Padilha, ao ressaltar a importância do diagnóstico e do tratamento dos parceiros para evitar a reinfecção das mulheres.

 

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