SBMT e ASTMH firmam parceria para ampliar colaboração internacional em Medicina Tropical

Memorando estabelece cooperação de quatro anos voltada ao intercâmbio científico, à formação profissional e ao fortalecimento de redes de pesquisa, educação e saúde global nas Américas

Parceria aproxima comunidades científicas, favorece a troca de conhecimento e intensifica respostas coordenadas a desafios persistentes e emergentes que atingem populações vulneráveis

A Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) e a American Society of Tropical Medicine and Hygiene (ASTMH) assinaram um Memorando de Entendimento que formaliza os termos da cooperação para impulsionar a atuação conjunta em Medicina Tropical e saúde global. Com vigência de quatro anos, o acordo reúne duas sociedades científicas com trajetória na pesquisa, na educação e na formação de profissionais dedicados ao enfrentamento das doenças tropicais e de outros desafios de saúde pública. A iniciativa contempla ações de intercâmbio científico e educacional, aproximação dos membros das duas organizações e apoio a estudantes, profissionais em formação, bolsistas e profissionais em início de carreira. O acordo também favorece a divulgação de congressos científicos, capacitação, bolsas, prioridades de políticas públicas e outras atividades de interesse comum. O memorando preserva a independência, a autonomia institucional e a governança de cada entidade. Nesse ponto, SBMT e ASTMH podem identificar prioridades compartilhadas e estruturar iniciativas que articulem a experiência, a capacidade técnica e as redes de integração de ambas. Projetos específicos devem ser detalhados em instrumentos complementares durante a vigência do acordo.

Para a diretora-executiva da ASTMH, Dra. Jamie Bay Nishi, o memorando oferece uma base institucional para consolidar a cooperação a partir de temas de interesse comum. “O documento estabelece uma estrutura para que a ASTMH e a SBMT identifiquem prioridades compartilhadas e desenvolvam atividades colaborativas ao longo do tempo. Os esforços iniciais podem se concentrar em áreas de interesse mútuo, como webinars científicos conjuntos, workshops educacionais e a participação nas reuniões anuais de cada sociedade”, afirmou. Ela também ressaltou que a parceria estimula as possibilidades de conexão de pesquisadores, profissionais de saúde, docentes e estudantes das duas organizações. “Esta parceria tem potencial para fortalecer os vínculos entre os membros da ASTMH e da SBMT, ao criar novas possibilidades de networking, intercâmbio científico e capacitação profissional. Programas educacionais conjuntos, simpósios colaborativos e a participação compartilhada em conferências podem aumentar o acesso a conhecimentos especializados e incentivar o diálogo entre disciplinas”, declarou. Segundo a Dra. Nishi, a cooperação também pode fortalecer a participação de jovens em início de carreira e profissionais em formação, com ações de mentoria, pesquisa colaborativa e desenvolvimento de lideranças.

O apoio às novas gerações de profissionais constitui um dos eixos do acordo. A parceria busca estimular a participação de estudantes, bolsistas, residentes, pesquisadores em formação e profissionais no início da trajetória científica em atividades de capacitação, mentoria, intercâmbio e construção de redes. A presidente da ASTMH, Dra. Terrie Taylor, disse que a integração das experiências e estratégias de formação das duas entidades pode estimular o alcance dessas oportunidades. “À medida que a parceria se desenvolve, as duas organizações trabalharão juntas para identificar iniciativas que aproveitem as competências de cada uma, gerem valor para seus membros e aprofundem a colaboração científica entre os Estados Unidos, o Brasil e a comunidade mais ampla de cooperação internacional em saúde”, assinalou. A Dra. Taylor observou que o alcance geográfico das duas instituições, aliado à integração de iniciativas de capacitação e networking, pode contribuir para a qualificação de estudantes e jovens pesquisadores. “Ao intensificar o alcance geográfico de ambas as organizações e combinar patrocinadores e abordagens voltadas a programas de treinamento e networking para estudantes, profissionais em formação e pesquisadores em início de carreira, as sinergias criadas pela parceria entre SBMT e ASTMH devem criar novos programas de qualificação de carreira para os membros das duas organizações”, completou.

O presidente da SBMT, Dr. Gustavo Romero, destacou que o memorando expressa o compromisso da Sociedade com a cooperação científica internacional baseada em relações horizontais, equânimes e justas que favoreçam a formação de profissionais aptos a responder aos desafios da Medicina Tropical e da agenda internacional de saúde. “Este Memorando de Entendimento reflete o compromisso da SBMT em fortalecer a colaboração científica internacional para o enfrentamento dos desafios da Saúde Global como ênfase nas regiões tropicais e subtropicais. Ao ampliar os espaços de intercâmbio em pesquisa, capacitação e engajamento profissional, podemos ajudar a construir redes científicas mais fortes nas Américas e apoiar a próxima geração de lideranças em Medicina Tropical”, acrescentou.

A vice-presidente da SBMT, professora Marcia Hueb, salientou que a parceria cria condições para uma cooperação científica mais integrada e atenta às necessidades dos países que convivem com a maior carga de doenças tropicais e infecciosas. Para ela, a aproximação entre a SBMT e a ASTMH reforça a importância de alianças científicas baseadas no compartilhamento de conhecimentos, no reconhecimento das diferentes realidades epidemiológicas e na valorização das capacidades instaladas nos países das Américas. “A cooperação vai ser uma oportunidade para a formação de profissionais, a produção de evidências e o desenvolvimento de respostas mais adequadas às populações afetadas por doenças tropicais e infecciosas”, complementou.

Cooperação diante de desafios globais

A formalização da parceria ocorre em um mundo marcado pela persistência de doenças endêmicas, pela emergência e reemergência de agravos infecciosos e pelos impactos da circulação internacional de pessoas sobre a vigilância e o controle de doenças. Para o presidente-eleito da ASTMH, Dr. Albert I. Ko, as experiências relacionadas às epidemias de Zika e à pandemia de Covid-19 evidenciaram a necessidade de respostas articuladas com países, instituições científicas e sistemas de saúde. “A cooperação e a colaboração envolvendo pesquisadores e instituições, em todas as frentes, são cada vez mais essenciais e não podem se limitar ao Brasil e aos Estados Unidos. Epidemias e pandemias passadas, como Zika e Covid-19, mostram com clareza que não conseguimos proteger uns aos outros sem proteger a todos”, frisou. O Dr. Ko mencionou ainda a importância de preservar e avançar nos resultados alcançados na eliminação do sarampo, diante da intensificação da mobilidade humana e das viagens internacionais. Ele também apontou a relevância do trabalho conjunto dos países para enfrentar a carga persistente de doenças tropicais endêmicas e apoiar iniciativas voltadas à eliminação da tuberculose, da doença de Chagas e da malária nas Américas. “Precisamos de cooperação não apenas para a segurança da Saúde Global, mas também para reduzir a carga histórica das doenças tropicais endêmicas. Há uma oportunidade importante para compartilhar boas práticas, muitas delas desenvolvidas no Brasil, e realizar as pesquisas necessárias para implementar intervenções em larga escala e eliminar doenças como tuberculose, doença de Chagas e malária nas Américas”, observou.

O presidente do ChagasLeish 2026 e membro da comissão científica local do MEDTROP 2026, Dr. Rodrigo Gurgel, entende que o acordo também dialoga com o papel dos congressos científicos na circulação de evidências, na formação de profissionais e no fortalecimento de redes internacionais. “O nosso congresso representa um espaço estratégico para aproximar pesquisadores, profissionais de saúde, estudantes e gestores de diferentes países e áreas do conhecimento. A parceria entre SBMT e ASTMH demonstra esse potencial ao estimular o intercâmbio de experiências e evidências científicas sobre os desafios que mobilizam a Medicina Tropical e a Saúde Global. É uma oportunidade para qualificar debates, fortalecer colaborações e dar visibilidade a pesquisas desenvolvidas no Brasil e nas Américas”, concluiu.

Ao final, o presidente da SBMT apontou que as iniciativas conjuntas permitem mobilizar a trajetória, a experiência e o compromisso das duas instituições na releitura constante de um mundo em transformação que impõe a colaboração ampla em prol da saúde como direito e a luta permanente contra as desigualdades sociais que determinam a persistência das doenças infecciosas que acometem assimetricamente as populações do Sul Global.

Esta reportagem reflete exclusivamente a opinião do entrevistado.

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