XIII Workshop Nacional da REDE-TB aproxima pesquisa, vigilância e políticas públicas no enfrentamento da tuberculose
Brasília, cidade concebida como símbolo da integração nacional e do diálogo entre diferentes esferas de governo, recebe entre os dias 16 e 19 de agosto, o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MEDTROP 2026) e, simultaneamente, o XIII Workshop Nacional da Rede Brasileira de Pesquisas em Tuberculose (REDE-TB). Com o tema “Tuberculose no Sul global: Ciência, Inovação e Equidade para a Construção e Integração de Políticas Públicas”, o encontro reúne pesquisadores, gestores, profissionais de saúde, representantes da sociedade civil e formuladores de políticas públicas para discutir os desafios atuais da tuberculose no Brasil e em países do Sul Global, onde a doença permanece fortemente associada às desigualdades sociais, econômicas e territoriais.
Considerada uma das doenças infecciosas mais letais do mundo, a TB continua sendo um importante desafio para a saúde pública global. Segundo o Relatório Global de Tuberculose 2025 da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10,7 milhões de pessoas adoeceram por tuberculose em 2024 e aproximadamente 1,23 milhão morreram em decorrência da doença. A enfermidade permanece como a principal causa de morte por um único agente infeccioso no mundo. No Brasil, o Boletim Epidemiológico de Tuberculose 2025 registrou 84.308 novos casos da doença em 2024, correspondendo a uma incidência de 39,7 casos por 100 mil habitantes. O número representa um aumento de 21% em relação ao período mais crítico da pandemia de Covid-19, evidenciando os desafios para o alcance das metas de controle e eliminação da doença.
O encontro ocorre em um momento de intensa mobilização internacional em torno da tuberculose. Apesar dos avanços observados nos últimos anos, incluindo a ampliação do acesso a testes moleculares rápidos, a adoção de esquemas terapêuticos mais curtos e os avanços nas pesquisas voltadas ao desenvolvimento de novas vacinas, a doença continua afetando de forma desproporcional populações em situação de vulnerabilidade social. Especialistas apontam que fatores como pobreza, insegurança alimentar, condições inadequadas de moradia e dificuldades de acesso aos serviços de saúde seguem entre os principais obstáculos para a redução sustentada da transmissão. Nesse contexto, o fortalecimento da pesquisa científica, da vigilância epidemiológica e das políticas públicas intersetoriais é considerado fundamental para acelerar o cumprimento das metas estabelecidas pela Estratégia End TB da Organização Mundial da Saúde.
Para o presidente da REDE-TB e do XIII Workshop Nacional, Dr. Ricardo Alexandre Arcêncio, a realização do encontro simultaneamente ao MEDTROP 2026 amplia a capacidade de articulação entre diferentes áreas do conhecimento e fortalece a construção de respostas mais abrangentes para os desafios impostos pela tuberculose. “A doença está diretamente relacionada a determinantes biológicos, sociais, econômicos e ambientais, o que exige abordagens integradas. Ao reunir pesquisadores, profissionais de saúde, gestores, formuladores de políticas públicas e representantes da sociedade civil em um dos principais fóruns científicos da Medicina Tropical na América Latina, ampliamos as oportunidades de cooperação, compartilhamento de evidências e formulação de estratégias capazes de gerar impacto real na prevenção, no diagnóstico e no tratamento da tuberculose, especialmente nos países do Sul Global”, afirma.
A programação do XIII Workshop Nacional da REDE-TB concentra debates sobre vigilância molecular da TB, TB subclínica, estratégias de rastreio, diagnóstico precoce, resistência aos medicamentos, novas estratégias terapêuticas, infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis, coinfecções, inovação tecnológica por meio da saúde digital e da inteligência artificial, além da organização e integração de sistemas de saúde e da assistência social. Também estarão em pauta os impactos dos determinantes sociais da saúde, reconhecidos como fatores centrais para a persistência da transmissão em diferentes contextos do Brasil e de outros países do Sul Global.
Além da apresentação de resultados científicos, o Workshop Nacional da REDE-TB promove o intercâmbio de experiências sobre implementação de políticas públicas em diferentes estados brasileiros. As atividades abordam atenção primária à saúde, integração das redes assistenciais, inovação em ferramentas diagnósticas, vigilância em saúde e estratégias de proteção social voltadas às populações em situação de maior vulnerabilidade. Segundo o Dr. Arcêncio, o encontro também fortalece a aproximação entre produção científica e tomada de decisão em saúde pública. “Vamos discutir evidências recentes e estratégias capazes de fortalecer a vigilância, o diagnóstico, o tratamento e a prevenção, considerando a complexidade epidemiológica e social do Brasil e de outros países do Sul Global”, destaca.
Pelo terceiro ano consecutivo, o evento incorpora o 3º Seminário Brasil Saudável, iniciativa do Ministério da Saúde que busca integrar ações de saúde, educação, assistência social e desenvolvimento territorial para reduzir a carga de doenças determinadas socialmente até 2030. A proposta dialoga diretamente com os desafios da tuberculose, cuja ocorrência permanece fortemente relacionada à pobreza, à insegurança alimentar, às condições precárias de moradia e às dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
A integração entre o Workshop Nacional da REDE-TB e o Seminário Brasil Saudável demonstra que o enfrentamento da tuberculose exige respostas articuladas entre ciência, vigilância, assistência e políticas sociais. Em um momento em que diversos países buscam acelerar o cumprimento das metas globais pelo fim da tuberculose como problema de saúde pública, o encontro reafirma o papel estratégico da pesquisa, da cooperação interinstitucional e da inovação para transformar conhecimento em ações concretas capazes de produzir impacto na saúde das populações”, conclui o presidente.
Mais informações: https://medtrop2026.com.br/



